A decisão do FOMC (sigla em inglês para Comitê Federal de Mercado Aberto) para a reunião de março deve ser marcada pela cautela devido ao novo choque de oferta provocado pela alta do petróleo após o aumento das tensões na guerra no Irã.
Segundo o Bank of America (BofA), o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros inalterados e adotar uma postura de “wait and see” enquanto avalia os impactos do cenário geopolítico e macroeconômico sobre a inflação e o crescimento.
“O Fed terá que lidar com mais um choque de oferta: o salto nos preços do petróleo”, afirmam os analistas.
Diante desse cenário, o banco avalia que a autoridade monetária deve manter a taxa básica e aguardar novos dados antes de indicar mudanças na política monetária.
Comunicado deve citar aumento da incerteza
O BofA espera poucas mudanças no comunicado da decisão.
Ainda assim, o texto pode incluir uma referência ao aumento da incerteza econômica provocado pelo conflito no Oriente Médio.
“Esperamos a inclusão de uma linha destacando que a incerteza sobre as perspectivas econômicas aumentou devido ao conflito no Irã”, aponta o relatório.
Projeções devem indicar inflação mais alta
O conjunto de projeções econômicas do Fed deve refletir o impacto da alta do petróleo.
Na avaliação do BofA, as estimativas para inflação cheia e núcleo da inflação devem ser revisadas para cima.
Já o dot plot para 2026 a 2028 tende a permanecer estável, enquanto a taxa de juros de longo prazo pode subir ligeiramente.
Powell deve mencionar risco de estagflação
Durante a coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, o BofA aponta que ele deve destacar o risco de estagflação, combinando inflação mais alta com crescimento mais fraco.
“Powell provavelmente destacará o risco de estagflação, enquanto enfatiza uma postura de espera”, afirma o banco.
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Impacto nos mercados
Para o BofA, a reunião de março não deve ser decisiva para os mercados.
A manutenção dos juros já está amplamente precificada, e o Fed deve oferecer pouca orientação adicional.
No câmbio, os analistas avaliam que os riscos de valorização do dólar continuam ligados à trajetória dos preços do petróleo.
“A reunião de março do Fomc dificilmente será um ponto de inflexão para o dólar”, conclui o relatório.






