O índice de atividade econômica de dezembro, que será divulgado pelo Banco Central na próxima quinta-feira (19), pode ser decisivo para determinar se o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará o ciclo de cortes da Selic em março com redução de 25 ou 50 pontos-base, segundo análise do Wells Fargo divulgada nesta quinta-feira (13).
Brendan McKenna, economista internacional do Wells Fargo, avalia que “o índice de atividade de dezembro provavelmente mostrará que a economia brasileira perdeu força no final do ano passado”. Segundo o economista, a política monetária ultra-restritiva, o estímulo fiscal limitado e o arrefecimento dos gastos pré-feriados devem pressionar o índice para baixo em relação ao mês anterior.
A análise destaca que os dados de dezembro completarão o quadro econômico do quarto trimestre e de todo o ano de 2025. Mais importante, o IBC-Br de dezembro será o último indicador relevante de atividade que os diretores do BC poderão avaliar antes da reunião de março do Copom.
Embora a inflação tenha precedência nas decisões do BC, o Copom já se comprometeram a cortar os juros em março. A questão em aberto é a magnitude do corte. McKenna observa que “comentários recentes de dirigentes do BC deixam a porta aberta para mover gradualmente com um corte de 25 pontos-base ou remover a restrição da política monetária mais rapidamente começando com uma redução de 50 pontos-base”.
Mercado inclinado a corte maior
O Wells Fargo acredita que os formuladores de política monetária optarão pela cautela e entregarão um corte de 25 pontos-base, mas McKenna afirma: “poderíamos ser influenciados em direção a um corte de 50 pontos-base em março se a atividade for especialmente fraca”.
Atualmente, os mercados estão apenas ligeiramente inclinados para que o BC reduza a Selic em 50 pontos-base. Assim, o índice de atividade pode reforçar os pedidos por um movimento maior ou reduzir as expectativas de afrouxamento no curto prazo. O banco mantém uma visão “menos dovish” para toda a política monetária do BC em 2026, o que significa que um ritmo mais rápido de afrouxamento no início do ano forçaria uma recalibragem da previsão para a Selic no final de 2026.






