O crescimento de 0,5% da construção civil em 2025, bem abaixo dos 2,3% registrados pelo Produto Interno Bruto (PIB) no período, pode sugerir perda de fôlego. Mas, segundo análise do BB Investimentos, a leitura é mais complexa — e menos pessimista do que aparenta à primeira vista.
É verdade que o setor desacelerou, especialmente no quarto trimestre, quando houve perda de dois pontos percentuais no ritmo de expansão. Também pesam desafios relevantes: o avanço dos custos de mão de obra, citado de forma recorrente pelas empresas, e o patamar ainda elevado da taxa Selic, que encarece o crédito imobiliário e limita decisões de compra.
Ainda assim, o desempenho ocorre sobre uma base forte. Em 2024, a construção havia avançado 4,3%, mesmo convivendo com uma Selic em torno de 15% durante boa parte de 2025. Ou seja, o setor não parte de um cenário de fragilidade estrutural, mas de um nível de atividade já aquecido.
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Dados de emprego
Os dados de emprego reforçam essa percepção. Nos últimos 12 meses, a construção foi responsável pela criação de 104,5 mil vagas formais, o equivalente a 8,5% do total de postos abertos no país, segundo o Caged. Trata-se de um indicador importante, já que a geração de trabalho costuma refletir confiança mínima na continuidade dos projetos.
O humor do empresário, no entanto, é mais cauteloso. O Índice de Confiança da Construção recuou em fevereiro, embora ainda esteja acima do patamar de encerramento de 2025. Já a sondagem da CNI mostra confiança abaixo do nível neutro desde meados de 2024.
Por outro lado, os lançamentos imobiliários voltaram a crescer e já superam as vendas líquidas, especialmente no segmento econômico. Programas como o Minha Casa Minha Vida seguem impulsionando o setor, beneficiados por taxas de juros mais atrativas que as praticadas no mercado tradicional.
Com a expectativa de que a Selic encerre 2026 em 12%, segundo o Boletim Focus, o cenário pode se tornar gradualmente mais favorável. Se os cortes de juros se confirmarem, a construção civil poderá transformar resiliência em retomada mais consistente ao longo dos próximos trimestres.






