Na madrugada desta quinta-feira (5), o governo chinês divulgou o 15º Plano Quinquenal durante o Congresso Nacional do Povo.
O BTG Pactual (BPAC11) destacou que o “Plano da China” busca enfrentar o problema de excesso de capacidade em setores como aço, petroquímicos e fundição de cobre, além de manter o domínio estratégico sobre as terras raras.
Pequim reiterou a intenção de lidar com o excesso de capacidade nessas indústrias. No entanto, o plano não estabelece metas explícitas de cortes de produção ou de redução da capacidade instalada.
Em vez disso, o governo destacou metas mais rigorosas de eficiência energética e intensidade de carbono como principal instrumento para promover a reestruturação desses setores intensivos em emissões.
Para os analistas do BTG, embora a China tenha sinalizado a intenção de lidar com o excesso de capacidade na indústria pesada, o banco de investimentos permanece cético quanto à implementação de grandes reformas pelo lado da oferta.
“Nosso cenário base continua assumindo que a produção de aço bruto da China cairá apenas gradualmente, cerca de 1% a 2% por ano, mantendo um excesso estrutural de capacidade superior a 200 milhões de toneladas por ano”, afirma o BTG.
Diante disso, os analistas reforçam que há pouca evidência de fechamentos agressivos de capacidade, o que indica que a tendência é de manutenção do excesso de oferta de minério de ferro no mercado.
China quer manter domínio sobre terras raras
O “Plano da China” também enfatiza que uma das prioridades do país é manter as terras raras no centro de sua estratégia industrial, com investimentos contínuos para preservar a liderança global em minerais críticos usados em ímãs, eletrônicos e manufatura avançada.
Atualmente, o país controla cerca de 90% da capacidade global de processamento de terras raras. Essa participação, porém, pode cair para cerca de 69% até 2030, à medida que países ocidentais tentam construir cadeias de suprimento alternativas.
O plano conecta o desenvolvimento das terras raras a um movimento mais amplo de modernização da base industrial chinesa.
Segundo o 15º Plano Quinquenal, Pequim está priorizando tecnologias como:
- robótica
- semicondutores avançados
- baterias
- equipamentos industriais de alta precisão
A análise do BTG converge com os pontos destacados no plano. O banco avalia que o domínio da China nas cadeias globais de suprimento deve permanecer intacto por anos.
Além disso, os analistas ressaltam que o país continua dominando a capacidade de refino e o processamento downstream para ímãs e aplicações de alto valor.
“Nesse contexto, continuamos favorecendo uma cesta de desenvolvedores juniores de terras raras, incluindo: Aclara, Viridis Mining e Meteoric Resources. São histórias de alto risco e alto retorno, mas oferecem forte exposição a um tema estratégico que está se tornando cada vez mais central na política industrial global”, conclui o BTG.
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