O varejo brasileiro entra em 2026 com ventos contrários e favoráveis disputando espaço no mesmo cenário. De um lado, um impulso fiscal estimado entre R$ 50 e R$60 bilhões e um mercado de trabalho ainda aquecido sustentam o consumo das faixas de renda baixa e média.
Do outro, o endividamento das famílias próximo de níveis recordes, a queda apenas gradual da Selic, um calendário de feriados desfavorável e a distorção de tráfego causada pela Copa do Mundo mantêm a incerteza elevada.
Diante desse quadro, os analistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo, do Santander, recomendam cautela — e elencam quatro preferências de ações entre as 18 ações do setor que cobrem.
“Preferimos teses estruturais com poder de precificação e geração consistente de caixa, além de nomes de alto beta onde o processo de desalavancagem possa destravar um re-rating das ações”, explicam os analistas.
A lista de preferências para 2026 combina dois perfis distintos: quality compounders e apostas mais agressivas sensíveis à trajetória de juros.

As melhores
A Vivara lidera o grupo de qualidade.
“Vemos a Vivara (VIVA3) oferecendo crescimento estrutural e melhora na geração de caixa, com P/L de cerca de 10 vezes para 2026”, destacam os analistas — um múltiplo baixo para uma empresa com histórico consistente de expansão.
A Lojas Renner (LREN3( completa esse perfil, negociando também a 10 vezes o lucro estimado, com sólido CAGR de lucro por ação e FCF yield atrativo para quem quer se beneficiar da normalização das margens no vestuário e dos fluxos de capital estrangeiro para o varejo brasileiro.
No campo do alto beta, o Assaí (ASAI3) é a aposta do banco para quem aceita mais volatilidade em troca de maior retorno potencial.
“O Assaí é nossa recomendação para quem busca exposição ao consumo doméstico e aos cortes na Selic, com desalavancagem e FCF yield acima de 20% sustentando um re-rating”, afirmam os analistas.
O Mercado Livre (MELI34) fecha a lista, dominando o ecossistema de e-commerce e fintech na América Latina com CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de lucro por ação de 38% entre 2025 e 2028, negociando a 36 vezes o lucro de 2026.
Fora das preferências, o banco promoveu mudanças relevantes: rebaixou o Grupo Mateus (GMAT3) para manutenção, citando incertezas contábeis, e elevou Pague Menos (PGMN3) e Grupo SBF (SBFG3) para compra, com múltiplos de 11 vezes e 6 vezes o lucro de 2026, respectivamente, e catalisadores concretos como GLP-1 e a Copa do Mundo.






