O Banco Safra mudou de posição sobre a Totvs (TOTS3). Os analistas Silvio Dória, Guilherme Bellizzi Motta e Carolina Carneiro elevaram a recomendação da ação de neutro para outperform (o mesmo que compra) e introduziram um novo preço-alvo de R$ 50 (de R$ 47) para o fim de 2026 — implicando potencial de valorização de 36% a partir dos níveis atuais.
O gatilho é a queda recente das ações, que abriu uma janela de entrada em um ativo que o banco considera de alta qualidade.
“Vemos essa queda exagerada como um ponto de entrada atrativo em um ativo de alta qualidade, com crescimento sustentado — CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de Ebitda de 14% em três anos — e potencial de upside com a incorporação da Linx”, afirmam os analistas.
A narrativa dos agentes de IA
O argumento central do Safra vai além do valuation. O banco enfrenta diretamente a narrativa que derrubou as ações de software em fevereiro — a de que a IA generativa ameaça os modelos SaaS tradicionais — e conclui que, no caso da Totvs, o mercado exagerou.
“Os sistemas ERP centrais servem como infraestrutura de missão crítica, gerenciando dados complexos e localizados, tornando-os altamente isolados de substituição repentina”, explicam Dória, Motta e Carneiro. Altos custos de troca, profunda integração com processos locais e a natureza regulatória dos dados fiscais brasileiros constroem um fosso competitivo difícil de transpor.
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Mais do que se defender, a Totvs parte para o ataque.
“A companhia está implementando uma estratégia ofensiva de IA, com compromisso de capex de R$ 600 milhões na plataforma Lynn”, destacam os analistas. Com um ecossistema de Agent Store e um modelo de Task as a Service (TaaS), a Lynn automatiza fluxos de trabalho e reforça a indispensabilidade do software — aumentando estruturalmente os custos de migração para os clientes.
Do lado das estimativas, o Safra revisou os números principalmente pela exclusão da Dimensa, não por fraqueza orgânica. A margem Ebitda ajustada deve expandir 0,3 ponto percentual em 2026, com lucro líquido não-GAAP estimado em R$ 1,1 bilhão. Se a Linx for integralmente incorporada ao modelo, o valor justo pode chegar a R$ 51,60 por ação.






