O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) manter a Selic em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos. Apesar da decisão amplamente esperada pelo mercado, o colegiado sinalizou que pode iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros a partir da próxima reunião, em março, diante da expectativa de maior controle da inflação.
Segundo o economista-chefe da EQI Investimentos, Stephan, a manutenção dos juros já estava no radar, mas a comunicação do Banco Central trouxe sinais relevantes sobre o ritmo do afrouxamento monetário. Na avaliação dele, o Copom deixou claro que pretende agir com cautela ao mencionar a necessidade de “serenidade” nos próximos passos e de manutenção de uma “restrição adequada”.
“Há uma sinalização bastante clara de corte na próxima reunião, mas com um tom mais conservador em relação ao ritmo inicial do ciclo”, afirmou Stephan. Para o economista, esse discurso aumenta a probabilidade de um primeiro corte de 25 pontos-base, em vez de uma redução de 50 pontos-base, como parte do mercado vinha projetando.
Selic deve encerrar ciclo em 12,5%, projeta EQI
Stephan destacou ainda que a indicação de manutenção de uma política monetária restritiva sugere que o ciclo de cortes não será agressivo. “Essa linguagem reforça que o Banco Central não pretende promover um afrouxamento rápido ou expansionista”, disse.
Diante desse cenário, a EQI Investimentos mantém a projeção de que a Selic encerre o ciclo de flexibilização em torno de 12,5% ao ano. O economista ressalta que a leitura pode ser ajustada conforme a divulgação da ata do Copom, os próximos dados de inflação e atividade econômica, além da comunicação do Banco Central até a próxima decisão.






