O número de carros blindados no Brasil atingiu um patamar inédito em 2025, consolidando a blindagem automotiva como uma tendência cada vez mais presente nas grandes cidades. Dados da Abrablin mostram que 42.800 veículos receberam proteção balística no último ano, o maior volume desde o início do monitoramento do setor, em 1995.
O avanço representa um crescimento expressivo em relação a 2024 e reforça uma curva ascendente observada principalmente nos últimos cinco anos. A frota estimada atualmente é de cerca de 400 mil veículos blindados em circulação no país, número que reflete uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro diante da insegurança no Brasil.
Há duas décadas, o cenário era completamente diferente. Em 2006, pouco mais de 3,6 mil veículos foram blindados. Desde então, o crescimento acumulado ultrapassa 1.000%, evidenciando a consolidação do mercado de carros blindados como um segmento estruturado e tecnicamente amadurecido.
Insegurança e tecnologia impulsionam a blindagem automotiva
A percepção de risco no cotidiano urbano é um dos principais fatores por trás do avanço dos carros blindados. A busca por proteção deixou de ser restrita a autoridades ou empresas de transporte de valores e passou a integrar a rotina de empresários, famílias e profissionais liberais.
Ao mesmo tempo, a evolução tecnológica da blindagem automotiva ajudou a derrubar antigas resistências. Os projetos atuais preservam melhor o desempenho, o conforto e a estética dos veículos, além de utilizarem materiais mais leves e eficientes. Isso reduziu impactos como excesso de peso e desgaste prematuro de componentes mecânicos.
Outro ponto relevante é a valorização do veículo blindado no mercado de revenda. Diferentemente do passado, quando a blindagem era vista como um fator de desvalorização extrema, hoje modelos bem conservados encontram compradores com mais facilidade e apresentam depreciação mais próxima à de veículos convencionais.
Forças de segurança e o avanço do uso institucional
Além do consumidor civil, o crescimento dos carros blindados também está ligado ao uso institucional. Órgãos de segurança pública passaram a adotar a blindagem como item de proteção individual para agentes que atuam em áreas de risco.
A blindagem mais comum no país é a blindagem nível III-A, que oferece proteção contra armas de cano curto, como pistolas 9 mm e revólveres calibre .44 Magnum. Esse é o nível máximo permitido para civis e atende à maior parte das ameaças registradas em ambientes urbanos.
Desde 2021, o setor registra quebras sucessivas de recorde, mostrando que a demanda deixou de ser pontual e passou a refletir um padrão estrutural de consumo ligado à segurança pessoal e patrimonial.
Quanto custa blindar um carro no Brasil?
O custo da blindagem ainda é um dos principais obstáculos para a popularização dos carros blindados. Em média, os valores para a blindagem nível III-A variam entre R$ 90 mil e R$ 100 mil, dependendo do modelo, da área envidraçada e do projeto técnico adotado pela blindadora.
Carros compactos podem ser blindados a partir de aproximadamente R$ 70 mil, enquanto sedãs médios giram em torno de R$ 80 mil. Já SUVs e picapes costumam ultrapassar os R$ 90 mil. Veículos de alto padrão, com muitos opcionais ou materiais mais leves, podem alcançar valores entre R$ 130 mil e R$ 140 mil.
O processo de blindagem envolve autorização do Exército, desmontagem completa do veículo, aplicação de aço balístico ou polietileno, substituição de vidros e uma série de testes finais. Todo o procedimento pode levar de 40 a 50 dias, refletindo o nível de complexidade e controle exigido pelo setor.
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