Não é exagero dizer que o Porsche da Singer que acaba de chegar ao Brasil representa o ápice do que pode ser feito com um carro clássico. Por fora, um Porsche 911 da geração 964, fabricado em 1989. Por dentro, uma verdadeira reconstrução de luxo, feita sob medida pela Singer Vehicle Design, empresa californiana que ficou famosa por reimaginar — e não apenas restaurar — exemplares icônicos do esportivo alemão.
Essa é a primeira unidade oficialmente registrada no país, com um valor estimado que ultrapassa os R$ 10 milhões.
O projeto Brazil Commission: três anos de criação artesanal
Batizado de Brazil Commission, o modelo é um dos últimos da série limitada “Classic Study”, projeto que será encerrado com apenas 450 unidades no mundo. A produção desse exemplar começou em 2021, em parceria com a brasileira GTO Car Specialists, especialista em importação e curadoria de carros raros.
O processo é meticuloso e controlado: primeiro, um modelo íntegro é encontrado e avaliado pela Singer. Só após a aprovação técnica com fotos, histórico e detalhes da estrutura, o carro é aceito para a transformação.
Esse Singer teve origem em um Porsche 911 1989 com especificações dos EUA, mas que já estava em solo brasileiro. A GTO o enviou para a Califórnia, onde a mágica começou. Foram dois anos de fila até o início dos trabalhos e mais um ano até a finalização. O comprador, mantido em sigilo, foi pessoalmente à sede da Singer para definir cada elemento do projeto.
Design clássico, execução moderna
A filosofia da Singer é unir o melhor do passado e do presente. No Brazil Commission, a carroceria foi quase inteiramente refeita em fibra de carbono — apenas as portas originais foram mantidas. Isso reduziu o peso do carro para 1.200 kg. O visual remete aos Porsche da década de 1970, com setas embutidas, lanternas traseiras individuais e uma postura mais baixa e agressiva.
A pintura do Porsche da Singer na cor Dark Sapphire Metallic, um tom da Jaguar, brilha em nuances que variam entre azul e roxo dependendo da luz. O interior combina couro Vivaldi com detalhes em azul Oxford, madeira nobre no volante e na alavanca de câmbio, e instrumentos com fundo claro, incluindo um conta-giros em tom “light ivory”. Tudo é feito à mão, peça por peça.
Potência e refinamento: o motor Ed Pink 4.0
Sob o capô, o Porsche da Singer brasileiro traz o lendário motor Ed Pink 4.0, desenvolvido por um dos nomes mais respeitados da engenharia automotiva — Ed Pink faleceu recentemente, tornando esse motor ainda mais valioso. São 390 cv de potência e 41 kgfm de torque, com força entregue entre 4.000 e 6.000 rpm. A alimentação é feita por sistema Individual Throttle Body, com pistões e componentes internos totalmente refeitos.
O câmbio é um G50 manual de seis marchas, algo que só viria de fábrica na geração seguinte do 911. O escapamento é de titânio, a suspensão é Ohlins ajustável, e há bocais de abastecimento de combustível e óleo expostos — tudo opcional. O único “não” foi para os freios de cerâmica, que não funcionariam com eficiência ideal num carro de uso urbano.
Tecnologia com discrição
Apesar da estética clássica, o carro oferece toques de tecnologia moderna. O rádio é um Porsche Classic PCCM com Apple CarPlay e Android Auto integrados a uma discreta tela de 3,5 polegadas. Um carregador de celular por indução foi instalado no console central — um item ainda em fase de desenvolvimento quando o proprietário visitou a Singer.
Um investimento milionário com valor emocional
O custo dessa transformação não é para qualquer um. Só a reimaginação feita pela Singer parte de US$ 800 mil, com opcionais que podem somar mais US$ 300 mil. E ainda há o carro base, que custa em torno de US$ 300 mil no mercado internacional.
Com impostos e frete, o valor total ultrapassa os R$ 10 milhões. Mas, para o colecionador certo, o preço não é obstáculo: é o valor da exclusividade, da arte e da história sobre rodas.
O que vem a seguir: mais Singers no Brasil
O sucesso do Brazil Commission já inspira novos projetos. A GTO Car Specialists anunciou que um segundo Porsche da Singer virá ao Brasil — desta vez um Turbo Study, inspirado no lendário 930 Turbo de 1978. A previsão é que esse modelo chegue por aqui em 2028, com o mesmo grau de detalhamento e exclusividade.
Singer: a marca que canta para os puristas
Fundada por Rob Dickinson, ex-vocalista da banda britânica Catherine Wheel, a Singer Vehicle Design rapidamente se tornou referência mundial em restomods de Porsche 911. Em apenas 16 anos, a empresa transformou uma paixão pessoal em um negócio milionário que mescla engenharia, design e amor pelos clássicos. Não há qualquer vínculo oficial com a Porsche, e boa parte dos componentes são produzidos por fornecedores próprios da Singer.
Seja pela técnica, pela estética ou pela raridade, o Porsche da Singer que acaba de chegar ao Brasil é mais que um carro: é um manifesto sobre como o passado ainda pode ser reinventado com excelência.
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