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Criação da Bradsaúde dá nó em compra da Fleury pela Rede D’Or

Criação da Bradsaúde dá nó em compra da Fleury pela Rede D’Or

Rede D’Or enfrenta contraparte mais capitalizada e com incentivos claros para não abrir mão dos ativos de diagnóstico

O Bradesco (BBDC4) toparia negociar sua fatia de 25% na Fleury (FLRY3) — mas o preço não é apenas financeiro. Segundo análise do Bank of America, o banco só consideraria abrir mão da participação em uma estrutura que, em contrapartida, ampliasse sua exposição a hospitais da Rede D’Or (RDOR3), especialmente em regiões onde a Bradsaúde concentra maior base de beneficiários, como São Paulo e Rio de Janeiro.

A condição eleva o patamar da negociação e torna qualquer acordo mais complexo do que o mercado precificava.

O pano de fundo é a criação da Bradsaúde, nova holding que consolida todos os ativos de saúde do Bradesco — operadora de planos, hospitais Atlantica, diagnósticos, odontologia e outros. Nesse ecossistema integrado, a Fleury ganha peso ainda maior: o banco americano estima que a empresa responde por até 30% dos custos de diagnóstico do Bradesco.

“A Fleury se torna um pilar central dentro da estratégia de ecossistema integrado do Bradesco, aumentando seu limiar para qualquer venda potencial e reduzindo as chances de um acordo com a Rede D’Or”, avalia o BofA.

Negociação mais difícil

Para a Rede D’Or, a criação da Bradsaúde significa deparar-se com uma contraparte mais capitalizada, orientada a ecossistema e com incentivos claros para reter os ativos de diagnóstico.

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“A nova estrutura aumenta o poder de barganha do Bradesco na negociação, estreitando o potencial de acretividade do negócio para a Rede D’Or”, aponta o banco.

Embora a compradora pudesse buscar alvos alternativos no setor de diagnósticos, o BofA avalia que a Fleury oferecia o melhor encaixe estratégico, considerando sua presença geográfica e perfil de clientes.

Do lado dos investidores, uma pesquisa recente do banco mostrou que 35% dos respondentes esperavam que a Rede D’Or chegasse a um acordo para adquirir a Fleury — expectativa que, segundo o BofA, ajudou a conter posições vendidas na ação, já que um anúncio de fusão poderia funcionar como catalisador positivo e provocar um short squeeze.

Com a probabilidade de aquisição reduzida, o banco reforça sua recomendação de underperform para a Fleury. A ação já sobe 10% no ano e negocia a 14 vezes o lucro estimado para 2026 — valuation que o BofA considera atrativo para uma posição vendida, diante de competição mais intensa no segmento premium, pressão de margens e perspectivas de crescimento limitadas.

O negócio não está descartado, mas ficou significativamente mais caro para a Rede D’Or.