Após avançar 34% em 2025, a bolsa brasileira manteve o ritmo forte no início de 2026 e encerrou janeiro com alta acumulada de 12,56%, renovando máximas históricas ao longo do mês. Mesmo com o movimento de correção observado no último pregão, o desempenho semanal ainda foi positivo, com ganho de 1,40%, reforçando a leitura de um mercado sustentado por fluxo estrangeiro e apetite por risco em mercados emergentes.
No pregão desta sexta-feira, no entanto, o Ibovespa devolveu parte dos ganhos recentes e fechou em queda de 0,97%, aos 181.363 pontos. O movimento esteve alinhado ao tom mais cauteloso visto em Nova York, onde os investidores reagiram à indicação de Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve e ao aumento do risco de um novo shutdown do governo dos Estados Unidos a partir deste sábado. Segundo o Valor, houve realização de lucros por parte de traders estrangeiros em mercados emergentes, após a sequência de recordes acumulada ao longo de janeiro.
Apesar da queda do índice, o giro financeiro seguiu elevado, totalizando R$ 33,7 bilhões, com presença relevante de capital estrangeiro. O comportamento reforça a avaliação de que o ajuste foi mais técnico do que uma mudança estrutural de tendência, em um mercado que segue bem posicionado no radar global.
Bolsa de valores: blue chips recuam em bloco
As blue chips recuaram em bloco, com exceção da Petrobras, que conseguiu fechar no campo positivo em meio à estabilidade do petróleo no mercado internacional. As ações ordinárias da estatal avançaram 0,22%, a R$ 40,39, enquanto as preferenciais subiram 0,16%, a R$ 37,76. Na ponta oposta, a Vale foi o principal peso negativo entre os papéis de maior liquidez, recuando 3,54%, a R$ 84,32, mesmo em um dia de minério de ferro praticamente estável no exterior.
O setor bancário também contribuiu para o desempenho negativo do índice. As ações do Santander caíram 1,71%, a R$ 36,32, seguidas por BTG Pactual, com baixa de 1,67%, a R$ 59,95. Itaú recuou 1,41%, a R$ 45,50, enquanto Banco do Brasil perdeu 1,10%, a R$ 25,22, refletindo o movimento generalizado de realização após a forte valorização recente do setor.
Entre as maiores quedas do dia, Usiminas PNA liderou as perdas do Ibovespa, com recuo de 4,98%, a R$ 6,30. CSN caiu 4,28%, a R$ 10,07, e CSN Mineração perdeu 3,92%, a R$ 5,89, pressionadas por ajustes técnicos e pelo desempenho mais fraco das commodities metálicas no curto prazo.
Na ponta positiva, Vivara foi o destaque do índice, com alta de 3,11%, a R$ 28,18. Yduqs avançou 2,44%, a R$ 14,67, enquanto o GPA subiu 1,86%, a R$ 3,84, beneficiando-se de movimentos pontuais de rotação setorial.
Mesmo com a correção no fechamento do mês, o desempenho acumulado de janeiro reforça a leitura de um mercado ainda sustentado por fundamentos favoráveis, fluxo externo consistente e expectativas positivas em relação ao ciclo econômico doméstico, ainda que com maior volatilidade no curto prazo diante do cenário internacional.
Ouro ainda é destaque
O ouro voltou a ocupar o centro do noticiário financeiro nesta sexta-feira (30) ao registrar a maior queda em anos, em um movimento brusco que interrompeu um rali histórico e elevou de forma significativa a volatilidade nos mercados globais de metais preciosos.
Durante a sessão, o metal chegou a recuar cerca de 8%, rompendo para baixo o patamar de US$ 5.000 por onça. A prata também acompanhou o movimento de correção e caiu para abaixo de US$ 100, em meio a uma onda de vendas generalizada que atingiu todo o setor. Apesar da intensidade do ajuste, ambos os metais ainda acumulam ganhos relevantes no mês, sustentados pela forte demanda observada desde o início do ano.
Analistas apontam que o principal gatilho para a liquidação foi a valorização do dólar no mercado internacional. O movimento ocorreu após a confirmação de que o governo do presidente Donald Trump deve indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
A sinalização frustrou parte dos investidores, que vinham apostando em um dólar mais fraco como cenário-base para os próximos meses. Essa expectativa havia sido um dos principais vetores de sustentação do recente avanço do ouro, visto tradicionalmente como ativo de proteção em ambientes de maior incerteza e de desvalorização da moeda americana.
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