O ouro voltou ao centro das atenções do mercado financeiro nesta sexta-feira ao registrar sua maior queda em anos, em um movimento abrupto que interrompeu um rali histórico e elevou a volatilidade nos mercados globais de metais preciosos.
O metal chegou a cair cerca de 8%, rompendo para baixo o nível de US$ 5.000 por onça, enquanto a prata recuou para abaixo de US$ 100, acompanhando uma onda de vendas que se espalhou por todo o setor. Apesar da correção acentuada, tanto o ouro quanto a prata ainda acumulam ganhos expressivos no mês, sustentados pela forte demanda observada desde o início do ano.
O principal gatilho para a liquidação foi a valorização do dólar, após a confirmação de que o governo do presidente Donald Trump se prepara para indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. A notícia frustrou investidores que vinham apostando em uma moeda americana mais fraca, um dos fatores que haviam impulsionado a busca por ouro como ativo de proteção.
Ouro entra em forte correção após disparada histórica dos preços
Nos últimos meses, o fluxo para o ouro foi impulsionado por preocupações com desvalorização cambial, questionamentos sobre a independência do Fed, disputas comerciais e tensões geopolíticas, levando os preços a sucessivos recordes e ampliando a volatilidade.
Segundo o Goldman Sachs, o rali também foi alimentado por uma onda recorde de compras de opções de compra, que reforçou mecanicamente a trajetória de alta dos preços. À medida que vendedores desses derivativos ampliavam posições de proteção no mercado à vista, o movimento ganhava força, dinâmica que agora se reverte com a mesma intensidade.
Analistas da Ágora Investimentos avaliam que, apesar da instabilidade no curto prazo, o cenário estrutural para o ouro permanece positivo, sustentado por fundamentos macroeconômicos favoráveis e por riscos geopolíticos persistentes. A casa destaca a Aura como uma alternativa atrativa nesse ambiente, combinando exposição ao ouro, crescimento consistente da produção e elevado rendimento de dividendos.
Mesmo após a forte correção, o ouro ainda acumula alta próxima de 18% em janeiro, aproximando-se de seu melhor desempenho mensal desde 1980. A prata, por sua vez, segue com valorização superior a 40% no ano, evidenciando a magnitude do movimento observado até aqui.






