O ano de 2026 tende a ser mais um ano favorável para o setor de shoppings centers e propriedades imobiliárias no Brasil, apoiado por fundamentos macroeconômicos mais benignos e por valuations ainda considerados atrativos. Em relatório do banco Santander (SANB11), os analistas Fanny Oreng, Matheus Meloni e Luis Wadt destacam que o desempenho sólido observado em 2025 cria uma base relevante para a continuidade dos resultados positivos neste ano.
Segundo o Santander, as ações do setor de shoppings registraram uma valorização média de 53% em 2025, desempenho 19 pontos percentuais acima do Ibovespa. Para 2026, o banco aponta três vetores principais de sustentação: o início de um novo ciclo de afrouxamento monetário, a aproximação da implementação da reforma do IVA — prevista para começar em 2027 — e múltiplos de negociação que ainda não refletem plenamente essas perspectivas.
Dentro desse cenário, a Multiplan permanece como a principal escolha do banco, seguida pela Iguatemi. A análise parte da avaliação de que o mercado de trabalho e o crescimento da renda devem se manter em níveis razoáveis em 2026, mas com limitações importantes. O elevado comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida tende a seguir pressionando o poder de compra, sobretudo entre consumidores de média e baixa renda, o que pode limitar o crescimento das vendas do varejo, mesmo considerando os possíveis efeitos positivos da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil.
Shoppings com maior exposição às faixas de renda mais alta têm preferência
Diante desse contexto, o Santander reforça a preferência por shoppings com maior exposição às faixas de renda mais altas, que tendem a apresentar maior resiliência operacional. Além disso, revisões positivas de lucro associadas à futura reforma do IVA também contribuem para essa escolha. Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11), segundo o relatório, combinam esse perfil defensivo com boas perspectivas de crescimento e eficiência operacional.
Ainda assim, o banco mantém uma visão construtiva para a Allos (ALOS3), reiterando a recomendação de compra. Apesar da expectativa de uma performance relativamente inferior em termos de crescimento de vendas e aluguéis, a companhia se destaca pelo dividend yield estimado de 10,6% para 2026 e por um valuation considerado atrativo, fatores que devem continuar sustentando retornos positivos para o acionista.
No segmento de propriedades logísticas, o Santander manteve recomendação de manutenção para a LOG CP (LOGG3), enquanto a HBR (HBRE3) segue com recomendação abaixo do mercado. No caso da HBR, o relatório ressalta que a elevada alavancagem financeira, mesmo após recentes movimentos de reciclagem de portfólio, deve continuar pressionando o lucro líquido e limitando a capacidade de expansão da companhia.
Em termos de preços-alvo, o Santander elevou suas estimativas para todas as empresas cobertas. Para a Multiplan, o preço-alvo passou de R$ 39,50 para R$ 44,80, com recomendação de compra. A Iguatemi teve o preço-alvo revisado de R$ 34,50 para R$ 40,70, também com recomendação de compra. Para a Allos, o novo preço-alvo é de R$ 38,50, ante R$ 33,50. A LOG CP teve o preço-alvo elevado de R$ 22,00 para R$ 30,60, enquanto a HBR passou de R$ 2,00 para R$ 3,40, mantendo avaliação mais cautelosa.
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