A indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve (Fed), no lugar de Jerome Powell, abre uma mudança de estilo que os economistas do Wells Fargo veem como mais moderada na condução da política monetária.
Para o banco, Warsh tende a apoiar “uma postura mais dovish […] impulsionada em parte por seu otimismo com o crescimento de produtividade, bem como por sua visão da necessidade de juros mais baixos para apoiar a ‘Main Street’”.
Ao mesmo tempo, lembram que “historicamente [ele] esteve entre os mais hawkish” entre os finalistas do então presidente Trump, reputação ligada ao seu período como diretor do Fed e a críticas ao tamanho do balanço do banco central.
Balanço, arcabouço e o que (não) muda
Apesar de Warsh considerar o balanço “grande demais”, o Wells Fargo avalia ser “altamente improvável” qualquer redução material sob sua gestão, dado quão entranhado está o regime de “reservas amplas”. Em outras palavras, não há cenário plausível para uma mudança brusca sem desorganizar a intermediação financeira.
O espaço de ação, portanto, não deve estar no balanço, mas no processo de decisão: Warsh poderia “desenfatizar a dependência de dados de curto prazo em favor de ‘dependência de tendência’”, o que geraria “menos, porém mais sísmicos, pontos de inflexão” na política monetária. O banco acrescenta que ele pode defender diminuir ou até “acabar com” o SEP e os “dots”, além de “menos Fed‑speak” — comunicação mais parcimoniosa.
O Wells Fargo nota ainda que Warsh é defensor da independência do Fed, embora “tenha sido franco” ao pedir revisão de algumas práticas de governança.
O teste imediato: consenso no FOMC e cortes já no radar
Política monetária é decisão colegiada: sete diretores e cinco presidentes regionais votam a cada reunião, o que “assegura alguma continuidade” na transição, diz o Wells Fargo — motivo pelo qual não altera, por ora, sua projeção para a taxa dos Fed Funds. Ainda assim, os economistas deixam alertas práticos: Warsh precisará evitar agir como “presidente‑sombra” antes de assumir plenamente, para não se alienar do Comitê. Mais que isso, terá de provar ser “um construtor de consenso” — atributo em que Powell, “criticável em vários pontos”, é “e tanto”.
A expectativa de mercado é de cortes limitados; já “a expectativa é que [Warsh] queira cortar, talvez até mais agressivamente que os preços de mercado”. Se essa for a agenda, “terá trabalho para construir consenso” quando o ponto central do Comitê é apenas mais um corte segundo os “dots” — e a barreira para isso parece estar subindo.






