As ações da XP Investimentos (XPBR31) recuam 4% nesta segunda-feira (18) e acumulam queda de 16% em um mês, no momento em que a companhia se prepara para divulgar seus resultados do primeiro trimestre de 2026 após o fechamento dos mercados.
O cenário é de cautela: o Bank of America projeta lucro líquido de R$ 1,4 bilhão, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 4% na comparação trimestral, mas alerta para um resultado abaixo das estimativas, pressionado por receitas mais fracas do que o esperado em um ambiente macroeconômico instável.
O banco americano mantém recomendação neutra para o papel.
Captação e receita sob pressão
A captação líquida do varejo deve recuar na comparação com o quarto trimestre de 2025, ficando abaixo da estimativa de R$ 21 bilhões do BofA. Os recursos oriundos do Banco Master podem oferecer uma contribuição extraordinária, mas insuficiente para compensar o ambiente desfavorável.
“Os ativos sob custódia podem se beneficiar da valorização do mercado, embora isso seja improvável de se traduzir em receitas mais altas — já que a alocação de ativos deve permanecer concentrada em produtos de menor taxa, como instrumentos de liquidez diária e fundos de renda fixa, limitando a evolução do yield de receita”, aponta o relatório do Bank of America.
O resultado deve ser um crescimento de receita total em dígito único, abaixo das estimativas do próprio banco e do guidance da gestão para 2026.
Margens abaixo do guidance
A combinação de mix desfavorável de receitas e pressão nas despesas operacionais tende a comprimir as margens.
“Esperamos contração da margem bruta devido a um mix de receita desfavorável, enquanto as despesas operacionais devem crescer em linha ampla com as receitas, refletindo esforços para mitigar o enfraquecimento do momentum da linha de topo”, destaca o BofA.
A margem EBT deve ficar abaixo do intervalo de guidance de médio prazo da XP, estabelecido entre 30% e 34%, embora a alíquota efetiva de imposto possa recuar pelo mesmo efeito de mix.
Reorganização corporativa no radar
Além dos números do trimestre, os investidores aguardam detalhes sobre a reorganização corporativa da companhia.
“Esperamos que a reorganização tenha impacto neutro sobre receitas e lucro líquido”, afirmam os analistas do Bank of America.
O banco conclui que “o momentum fraco de lucros deve continuar a restringir a reavaliação do valuation”, sustentando a visão Neutra para o papel enquanto o cenário macro não oferecer visibilidade mais clara para a retomada do crescimento de receitas da companhia.






