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Inter: Citi derruba preço-alvo e ações voltam a cair

Inter: Citi derruba preço-alvo e ações voltam a cair

Banco entende que as perspectivas de lucro no curto prazo para o Inter estão inclinadas para baixo, como resultado de deterioração da qualidade dos ativos e alta dos custos

As BDRs do Inter (INBR32) voltaram a cair nesta segunda-feira (18) após um corte na recomendação feito pelo Citi. Os papeis já acumulam uma desvalorização de 37% em 2026.

O banco cortou a indicação de compra para neutra e derrubou o preço-alvo para as ações negociadas em Nova York de US$ 12 para US$ 6,50. Os ativos eram negociados a pouco a US$ 5,74.

Segundo a análise, as perspectivas de lucro no curto prazo para o Inter estão inclinadas para baixo, como resultado de deterioração da qualidade dos ativos e alta dos custos.

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Após a divulgação do balanço do 1º trimestre de 2026, o mercado tem se dividido sobre as projeções para o banco.

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O Bradesco BBI, por exemplo, divulgou uma análise positiva após o evento “Owner’s Day”.

Na ocasião, o Inter apresentou a chamada “Regra dos 50”, que combina crescimento e retorno sobre patrimônio (ROE) em torno de 50% a partir deste ano.

A meta de ROE foi revisada para o intervalo de 26% a 30% até o final de 2029 — comparado aos 15,5% registrados no primeiro trimestre de 2026.

“O Owners’ Day foi um evento construtivo ao trazer maior clareza sobre as estratégias até 2029 e ao alinhar expectativas de longo prazo, ainda que com maior transparência sobre as pressões de curto prazo, especialmente em custo de risco”, avaliam os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, do Bradesco BBI.

“O valuation atual — cerca de 7,8 vezes o lucro e 1,2 vez o valor patrimonial — parece descontar excessivamente os riscos no curto prazo”, apontaram Mizrahi e Chanes, apontando assimetria positiva no médio e longo prazo.

Por outro lado, o Safra destacou que os números vieram abaixo das expectativas tanto da instituição quanto do consenso do mercado, citando perda de fôlego nas receitas e sinais de deterioração na qualidade dos ativos.

Segundo o Safra, o desempenho mais fraco foi impulsionado principalmente pela queda da receita líquida de juros (NII), indicador considerado essencial para instituições financeiras digitais como o Inter.

O banco também chamou atenção para o avanço da inadimplência de curto prazo, que subiu 60 pontos-base na comparação trimestral. Na avaliação dos analistas, o movimento pode indicar uma deterioração mais estrutural da carteira de crédito, e não apenas um efeito da composição dos empréstimos.

O Safra destacou ainda preocupações crescentes do mercado com o apetite do Inter por produtos considerados de maior risco, em um momento em que investidores monitoram de perto a qualidade das carteiras de crédito do setor financeiro.

Apesar de o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ter avançado 40 pontos-base no trimestre, atingindo 15,5%, o indicador ainda permanece distante da meta de 30% perseguida pela companhia.

Os analistas observaram que os empréstimos consignados para pessoas físicas seguiram em ritmo moderado de expansão, enquanto a carteira imobiliária continuou apresentando crescimento mais forte.