A transmissão voltou a ser o principal destaque da Alupar (ALUP11) no segundo trimestre do ano, reforçando a tese de investimento da companhia, mas o desempenho mais fraco da geração impôs pressão ao resultado. As ações da empresa recuaram 1,80% na Bolsa de Valores nesta sessão, em meio à leitura de um balanço operacionalmente positivo, mas com pontos de atenção.
Para a Genial, a recomendação para os papéis da Alupar permanece em “Manter”. Na avaliação da casa, o 2TRI26 reforçou a capacidade da companhia de executar projetos, especialmente no segmento de transmissão, que continua sendo o núcleo de qualidade do negócio. Ao mesmo tempo, o trimestre mostrou que a geração apresenta maior volatilidade e está sujeita a fatores como compra de energia, curtailment e diferenças de preços entre submercados.
Transmissão mantém protagonismo
A transmissão foi novamente o principal motor do resultado. A receita de transmissão de energia, medida pela Receita Anual Permitida (RAP), chegou a R$ 812,6 milhões, também com alta de 14,7% em um ano.
Segundo a Genial, o crescimento foi impulsionado pela entrada em operação de novos ativos, pela incorporação de projetos e pelo reajuste das RAPs no ciclo 2025/2026. Entre os principais efeitos estão a entrada em operação comercial da TCE, em outubro de 2025, a entrada em operação de trechos da ELTE, a incorporação da TBO após a aquisição realizada em julho de 2025 e o início do recebimento de RAP pela TECP após a conclusão da primeira fase do projeto.
O desempenho também apareceu no resultado operacional. O EBITDA regulatório da transmissão foi de R$ 649 milhões, avanço de 12,7% sobre o 2T25. A margem permaneceu em um nível elevado, de 88,5%, apesar de ter recuado ante os 90% registrados um ano antes.
Para a Genial, a combinação de entrada de ativos, reajustes regulatórios e expansão do parque operacional é positiva para a tese da Alupar. A transmissão, portanto, continua funcionando como o principal vetor de previsibilidade e crescimento da companhia.
O lucro líquido regulatório da transmissão, porém, cresceu em ritmo menor que o EBITDA. Foram R$ 296,2 milhões no trimestre, alta de 4,4% na comparação anual. A diferença foi explicada principalmente pelo aumento das despesas financeiras, da depreciação e dos impostos.
Geração traz pressão ao balanço
Se a transmissão entregou crescimento consistente, a geração teve um trimestre mais difícil.
A receita líquida do segmento caiu 3,5%, para R$ 212,6 milhões, enquanto o EBITDA recuou 17,6%, para R$ 104,6 milhões. Com isso, a margem EBITDA passou de 57,6% no 2T25 para 49,2% no segundo trimestre deste ano.
Um dos principais fatores de pressão foi o aumento da compra de energia, que avançou 51% na comparação anual, para R$ 38,2 milhões. Os encargos de rede, ou CUST, também subiram 75,6%, chegando a R$ 23,5 milhões.
O cenário reforça uma diferença importante entre os dois segmentos da companhia. Enquanto a transmissão possui receitas reguladas e maior previsibilidade, a geração está mais exposta às condições do sistema elétrico, aos preços de energia e às necessidades de compra de energia para cobertura de contratos.
Curtailment continua no radar
Outro ponto de atenção para a geração renovável é o curtailment, quando a produção de uma usina precisa ser reduzida por restrições do sistema elétrico.
De acordo com a Genial, as restrições de geração, especialmente no Nordeste, passaram a ocorrer com maior frequência. Entre os fatores estão indisponibilidades externas de transmissão, excesso de oferta em determinados períodos e uma operação mais conservadora do sistema pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A Alupar também segue exposta aos efeitos do descolamento de preços entre diferentes submercados. No segundo trimestre, a diferença de preços entre regiões permaneceu relevante em determinados momentos, aumentando a complexidade da gestão comercial dos ativos de geração.
Apesar disso, a disponibilidade física dos ativos de geração melhorou. O indicador chegou a 94,7%, ante 93,5% no 2T25. O ganho operacional, contudo, não foi suficiente para evitar a pressão sobre o resultado financeiro do segmento.
Tese permanece ligada à execução do pipeline
Para a Genial, não houve uma mudança estrutural na tese de investimento. A recomendação segue em “Manter”, com a transmissão permanecendo como o principal pilar de qualidade do case.
O próximo passo para a companhia será transformar o pipeline de projetos em crescimento efetivo de receita e geração de caixa. Para isso, será necessário executar os empreendimentos dentro do orçamento, converter os investimentos em aumento de RAP e manter a alavancagem sob controle em um cenário ainda marcado por custo financeiro elevado.
Assim, apesar da queda de 1,80% das ações na Bolsa, o balanço do segundo trimestre não altera significativamente a visão da Genial sobre a companhia. A leitura é de que a Alupar segue entregando aquilo que sustenta sua tese — principalmente na transmissão —, mas precisa continuar mostrando disciplina de execução e administrar os riscos crescentes associados à geração renovável.






