A Vale (VALE3) enxerga uma parcela relevante da concorrência operando no vermelho. Com o minério a cerca de US$ 95 por tonelada e o Brent perto de US$ 90 o barril, a administração estima que mais de 100 milhões de toneladas da oferta global estejam economicamente pressionadas.
A leitura veio de uma reunião com o presidente Gustavo Pimenta, relatada pela XP Investimentos em um relatório enviado a clientes nesta sexta-feira (18).
Essa conta importa porque abre espaço para racionalização da oferta. A companhia, por sua vez, tem margem de manobra que boa parte dos concorrentes não tem.
“A flexibilidade do portfólio da Vale e a menor exposição a volumes marginais devem sustentar a lucratividade”, apontam Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas da XP Investimentos.
Na prática, a mineradora pode reduzir compras de terceiros de custo mais alto para preservar a rentabilidade.
Frete travado e alumina como diferencial
A proteção contra o custo de transporte avançou. Toda a exposição a fretes de 2026 está contratada, e cerca de 75% da de 2027 já foi coberta por contratos de afretamento por tempo.
Há também um ponto de qualidade do produto. O portfólio de baixo teor de alumina ganha posição à medida que Simandou entra no mercado com teor mais alto do que se esperava. Na demanda, a atividade mais fraca na China vem sendo compensada pelas exportações de aço e pelo crescimento na Índia e no Sudeste Asiático.
Outro elemento pode reduzir risco no longo prazo.
“Um novo decreto de cavidades está pronto, mas é mais provável que seja divulgado em 2027, devendo reduzir os riscos de longo prazo para a produção no Sistema Norte”, observam Laghi, Nippes e Urbano.
(Imagem: Divulgação/ Vale VBM)
Cobre no centro e IPO fora de pressa
Na unidade de metais básicos, o pipeline avança. Bacaba está adiantado em relação ao cronograma, o projeto CPF se aproxima da decisão final de investimento e Alemão é o próximo da fila, com ajustes de desenho para acelerar o desenvolvimento e licenciamento em discussão inicial. Os projetos 118 e Cristalino estão em viabilidade, e Paulo Afonso em pré-viabilidade.
“O IPO da unidade de metais básicos continua sendo apenas uma entre várias alternativas estratégicas, enquanto os projetos atuais não exigem capital externo”, projetam Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas da XP Investimentos.
A companhia decidirá sobre eventuais distribuições adicionais aos acionistas apenas no fim do ano, e reconhece que parte do desconto ante os pares globais vem justamente da exposição maior ao minério e menor ao cobre, quadro que deve mudar com a meta de dobrar a produção do metal até 2035.