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Cartier Cheich único em ouro branco vai a leilão por até US$ 5 milhões

Cartier Cheich único em ouro branco vai a leilão por até US$ 5 milhões

Criado em 2010 para o colecionador Giorgio Seragnoli, exemplar único retoma um design nascido como troféu do Paris-Dakar nos anos 1980

Entre os relógios que raramente chegam ao mercado, poucos carregam uma história tão particular quanto o Cartier Cheich. Criado originalmente nos anos 1980 como troféu para um dos desafios mais duros do Paris-Dakar, o modelo voltará aos holofotes em uma versão única de ouro branco, que será oferecida pela Sotheby’s em Hong Kong durante a Luxury Week, nesta quinta (18) e sexta-feira (19). A estimativa está entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.

O exemplar possui um detalhe que ajuda a explicar o interesse dos colecionadores: a gravação do número “1” no fundo da caixa, que confirma seu status de primeira e única peça dessa configuração. Criado em 2010 como uma encomenda especial, o relógio chega agora ao mercado de leilões pela primeira vez.

Um relógio que nasceu no Paris-Dakar

A origem do Cheich está distante dos tradicionais salões da alta relojoaria parisiense. Sua história começa no Rali Paris-Dakar, competição criada em 1978 pelo aventureiro francês Thierry Sabine.

Em 1983, Sabine e Alain Dominique Perrin, então CEO da Cartier, idealizaram o chamado “Desafio Cartier”. A proposta era premiar o competidor que conquistasse títulos consecutivos, durante dois anos, na mesma categoria. Em vez de uma taça convencional, o vencedor receberia um relógio desenvolvido especialmente pela maison.

A inspiração estética veio do próprio cenário da prova.

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“A Cartier sabia que não poderia ser apenas mais um relógio, então, em vez de se basear em seus designs existentes, voltou-se para o que tornou o rali lendário: o deserto”, explica Carl Chen, catalogador da Sotheby’s.

Segundo Chen, a maison observou os tuaregues, conhecidos também como Homens Azuis do deserto, e o tradicional lenço usado por eles.

“Eles usavam um lenço de cabeça azul característico chamado, em francês, cheich, e a Cartier transformou o formato desse lenço em uma caixa de relógio, e assim nasceu um dos designs de relógio mais incomuns.”

O resultado foi uma caixa de linhas onduladas e esculturais, cuja aparência parece envolver o mostrador como um tecido.

Um prêmio conquistado apenas uma vez

O piloto belga Gaston Rahier venceu o Paris-Dakar em 1984 e 1985, tornando-se a primeira pessoa a completar o Desafio Cartier. Também seria a última.

O projeto terminou em 1986, após a morte de Thierry Sabine em um acidente de helicóptero no Mali durante uma tempestade de areia. O Cheich entregue a Rahier acabou se tornando uma das poucas peças associadas diretamente à competição e foi vendido pela própria Sotheby’s, em setembro de 2022, por mais de € 1 milhão.

O material de referência relata quatro exemplares ligados à história original do modelo. Além do relógio de Rahier, uma peça teria pertencido a Sabine e permanece desaparecida. Outros dois modelos foram preservados na Coleção Cartier, entre eles uma versão feminina menor e cravejada de diamantes.

A exceção criada em ouro branco

A história parecia encerrada até 2010, quando a Cartier retomou o desenho do Cheich para atender a uma encomenda extremamente específica.

O cliente era o colecionador italiano Giorgio Seragnoli, conhecido por sua afinidade com peças da Cartier e por comprar relógios apenas em metais brancos. Para ele, a maison produziu um Cheich em ouro branco, criando uma versão que não existia na série original.

Carl Chen define o episódio como o momento em que a Cartier “quebrou sua própria regra” ao recuperar o design décadas depois.

É justamente esse relógio, identificado como “Número Um”, que agora chega à Sotheby’s.

 Cartier Cheich
Único Cartier Cheich produzido em ouro branco, o relógio foi criado em 2010 para um colecionador e chega agora ao leilão pela primeira vez. Crédito: Sotheby’s.

Uma raridade em uma semana dedicada ao luxo

O Cartier Cheich dividirá as atenções da Luxury Week de Hong Kong com outras peças pouco comuns da maison. Entre elas estão um Cartier Crash de 2005 em ouro branco e safira e exemplares do Cartier Maxi Pebble em ouro amarelo, produzidos no início dos anos 1970.

Ainda assim, o Cheich ocupa uma posição singular pela combinação de procedência, desenho e escassez. Dos desertos percorridos pelo Paris-Dakar à coleção particular de Giorgio Seragnoli, a peça reúne capítulos pouco convencionais da história da Cartier.

Agora, pela primeira vez desde que foi criada em 2010, essa versão única terá seu valor testado publicamente. Com estimativa que pode chegar a US$ 5 milhões, o resultado do leilão também mostrará até onde os colecionadores estão dispostos a ir para disputar um dos desenhos mais raros da relojoaria da maison francesa.

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