Home
Notícias
Ações
Tenda ganha preferência de investidores em meio à cautela com setor imobiliário, aponta Safra

Tenda ganha preferência de investidores em meio à cautela com setor imobiliário, aponta Safra

Construtora se destaca entre as apostas do mercado, enquanto juros altos pressionam segmento de média e alta renda

A Tenda (TEND3) despontou como a principal escolha dos investidores no setor imobiliário brasileiro, segundo análise do Banco Safra após uma rodada de reuniões com clientes em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em meio a um cenário macroeconômico mais desafiador e maior aversão ao risco, a construtora de habitação popular ganhou destaque pela combinação entre forte execução operacional, impulso esperado nos lucros e potencial de valorização.

De acordo com os analistas do Safra, a preferência por empresas voltadas ao público de baixa renda foi o principal consenso identificado nas conversas com investidores. O segmento é visto como mais resiliente diante das incertezas econômicas e menos dependente do ciclo de juros, especialmente com a expectativa de uma nova rodada de incentivos ao programa Minha Casa Minha Vida.

“Construtoras de baixa renda continuam sendo a escolha mais consensual dos investidores”, afirmaram os analistas do Safra. Segundo o banco, a Tenda se sobressai entre as companhias avaliadas pelo mercado devido ao momento positivo dos resultados e ao potencial de revisão para cima das projeções.

Apesar do otimismo, a exposição maior da empresa ao modelo de vendas com soluções pro soluto ainda aparece como um ponto de atenção entre investidores. A avaliação predominante, no entanto, é de que eventuais impactos desse modelo devem ser mais relevantes em um cenário posterior ao período eleitoral.

Publicidade
Publicidade

Além da Tenda, outras construtoras voltadas ao segmento popular também mantêm boa percepção entre os investidores. A Cury e a Direcional aparecem como nomes bem avaliados pelo mercado, com destaque para a execução operacional e a capacidade de entrega de resultados.

O Safra observa uma leve preferência pela Cury, especialmente pela maior conversão de caixa e pelo potencial de distribuição de dividendos. A Direcional também segue como uma das companhias mais citadas pelos investidores devido ao histórico de execução e à avaliação considerada atrativa.

Já a MRV despertou menos entusiasmo nas reuniões, principalmente em razão da maior alavancagem financeira e das incertezas envolvendo a operação da Resia. A Plano & Plano, por sua vez, voltou ao radar de alguns investidores após a forte queda recente das ações, embora o mercado ainda aguarde uma melhora na percepção sobre a companhia.

Investidores reduzem exposição ao setor imobiliário diante do cenário macro

Apesar do interesse seletivo por algumas empresas, o Safra identificou uma postura mais defensiva dos investidores em relação ao setor imobiliário. A exposição média das carteiras caiu, saindo de uma expectativa de 10% a 15% para algo entre 5% e 10%, refletindo preocupações com o ambiente econômico.

Segundo os analistas, o aumento da aversão ao risco levou investidores a priorizar empresas com maior previsibilidade operacional e menor sensibilidade ao cenário de juros e eleições.

Segmento de média e alta renda segue pressionado, mas valuations começam a atrair atenção

No segmento de média e alta renda, o sentimento permanece mais fraco. Segundo o Safra, os principais desafios são os estoques elevados em São Paulo, a perda de acessibilidade dos consumidores em razão dos juros altos e a maior correlação do setor com as taxas de longo prazo.

Ainda assim, as avaliações comprimidas começam a despertar interesse. Parte dos investidores entende que algumas ações já incorporam um cenário excessivamente negativo, considerando que as vendas continuam resilientes e que o custo maior de capital pode reduzir a concorrência em novos lançamentos.

A Cyrela (CYRE3) foi o principal nome discutido nesse segmento. Para os analistas do Safra, a companhia chama atenção pela exposição crescente ao mercado de baixa renda, pelo potencial de melhora nos resultados e por possíveis catalisadores relacionados à venda de ativos. Apesar disso, a exposição dos investidores locais ao papel ainda é considerada relativamente baixa.

A Moura Dubeux (MDNE3) também ganhou espaço nas conversas, apoiada por uma melhora operacional e pela possibilidade de revisões positivas nas estimativas de lucro.

Shoppings ganham atratividade após desempenho inferior das ações

No setor de shopping centers, a recente queda das ações aumentou o interesse dos investidores. O Safra avalia que o segmento voltou a ser visto como uma alternativa defensiva, combinando geração de caixa previsível, potencial de valorização em um cenário de queda dos juros e proteção contra inflação.

Entre as companhias analisadas, a Allos (ALOS3) aparece como uma escolha ligada à geração de renda, favorecida pelo retorno em dividendos. Já a Multiplan (MULT3) é vista por parte dos investidores como uma opção de maior qualidade, devido à resiliência do portfólio, disciplina na alocação de capital e potencial de crescimento dos lucros com a implementação da reforma tributária.

A Iguatemi (IGTI11), apesar de possuir um portfólio considerado premium, despertou menos interesse durante as reuniões.

Para os analistas do Safra, o momento atual favorece empresas com fundamentos sólidos, balanços saudáveis e maior capacidade de atravessar ciclos econômicos adversos. Embora o ambiente permaneça desafiador para o setor imobiliário, a diferenciação entre modelos de negócio abre espaço para oportunidades seletivas, especialmente em companhias com execução comprovada e avaliações descontadas.

Leia também: