O Bank of America elevou os preços-alvo de Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) nesta terça-feira (30), antecipando um segundo trimestre forte para o setor de distribuição de combustíveis. O preço-alvo de Vibra subiu de R$ 42 para R$ 43 por ação, enquanto o de Ultrapar avançou de R$ 33 para R$ 34, com o banco mantendo postura construtiva para o setor.
“Aumentamos nossos preços-alvo, impulsionados por estimativas mais altas não apenas para o segundo trimestre de 2026, mas também para os anos seguintes”, afirmaram os analistas Leonardo Marcondes, Caio Ribeiro e Nicolas Barros, do Bank of America.
Apesar do desempenho relativo superior ao Ibovespa em 7 pontos percentuais e ao ICON em 12 pontos percentuais desde o início do conflito no Oriente Médio, as ações ainda negociam praticamente nos mesmos níveis pré-guerra, sugerindo que a expansão de margens não foi totalmente refletida nos preços.
Margens recordes sustentam tese para o segundo trimestre
O BofA vê os resultados do segundo trimestre como catalisador-chave para ambas as companhias, com margens EBITDA recordes próximas a R$ 400 por m³.
“Mesmo após o declínio nos preços do petróleo, o diesel importado está sendo oferecido à Petrobras mais aproximadamente R$ 1.000 por m³, já que o produto russo com desconto se tornou menos disponível”, destacaram os analistas.
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Os dados de maio confirmaram momentum persistentemente forte, com margem de reposição em R$ 1,05 por litro, ligeiramente abaixo dos R$ 1,09 de abril, mas com alta estabilidade semanal.
Players independentes e bandeiras brancas, que dependem de mix entre Petrobras (PETR3; PETR4) e importações, viram suas margens comprimirem para R$ 0,11 por litro em maio — o menor nível do ano. Essa compressão reforça a vantagem estrutural dos grandes distribuidores, que devem continuar ganhando participação de mercado apoiados pela percepção de marca, maior bandeirização e relacionamento mais forte com revendedores.
Vibra segue como preferência sobre Ultrapar
O banco mantém preferência por Vibra (compra) em relação a Ultrapar (neutro), principalmente pela maior exposição à distribuição de combustíveis — 85% do EBITDA estimado para 2027, contra 60% da Ultrapar — e pela maior alavancagem, que pode se tornar vantagem positiva caso a narrativa de corte de juros volte ao radar.
Em termos de valuation, Vibra e Ultra negociam a múltiplos similares de 9,5 vezes e 8,8 vezes P/L para 2027, respectivamente.
A retirada da Ultrapar do processo de aquisição de uma fatia na Rumo, noticiada pelo jornal O Globo, foi vista como desenvolvimento positivo pelo BofA.
“A notícia pode ser vista como positiva pelos investidores, pois reforça o compromisso da companhia com a disciplina de capital, além de permitir que a gestão aloque recursos para negócios com ROIC mais atrativo e maior potencial de criação de valor”, avaliaram Marcondes, Ribeiro e Barros.
A participação na Rumo era vista como ponto de preocupação entre investidores, dado o alto capex exigido pela ferroviária e a geração de caixa restrita.
O governo também avalia encerrar os subsídios aos combustíveis caso o petróleo se estabilize em US$ 80 por barril — patamar já superado, com o Brent operando perto de US$ 72.
Mesmo nesse cenário, o BofA estima que os preços da Petrobras permaneceriam abaixo da paridade de importação, com a estatal precisando elevar o diesel em 30% e a gasolina em 20% para fechar totalmente o gap, o que sustentaria margens robustas para Vibra e Ultra independentemente do desfecho dos subsídios.






