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Stone: troca de CEO adiciona camada de incerteza; entenda

Stone: troca de CEO adiciona camada de incerteza; entenda

A Stone realizou recentemente uma troca em seu comando: Pedro Zinner deixará o cargo de CEO a partir de março, por motivos pessoais

A Stone (STOC31) realizou recentemente uma troca em seu comando: Pedro Zinner deixará o cargo de CEO a partir de março, por motivos pessoais. O Conselho de Administração pretende indicar Zinner para a posição de chairman na próxima assembleia de acionistas, sujeito à aprovação. A questão é que essa mudança adiciona uma camada a mais de incerteza envolvendo a companhia, uma vez que há questionamentos por conta da empresa ainda estar enfrentando um processo considerado desafiador de transição para um modelo liderado por banking voltado a PMEs, ao mesmo tempo em que o crescimento recente do TPV desacelerou e as taxas de juros no Brasil permanecem elevadas.

“Todas as mudanças na liderança foram internas, não houve alteração nas prioridades estratégicas, e a transição não modifica o discurso mais recente da empresa em relação a volumes, tendências operacionais ou ao caminho para atingir as metas de 2027. Ainda assim, embora a mudança na gestão introduza ruído no curto prazo e levante questionamentos compreensíveis por parte dos investidores, acreditamos que a transição preserva a coerência estratégica e mantém a liderança fortemente alinhada aos objetivos de longo prazo da companhia”, diz parte do relatório do banco BTG Pactual (BPAC11).

Segundo o relatório do BTG, Mateus Scherer, atual CFO e head de Relações com Investidores (RI), assumirá o comando da companhia, enquanto Diego Salgado, hoje tesoureiro, passará a acumular as funções de CFO e RI.

Transição na Stone: reação cautelosa no mercado

A reação do mercado foi cautelosa. As ações da Stone recuaram cerca de 8% no dia do anúncio, refletindo questionamentos dos investidores sobre riscos de execução em um setor cuja sustentabilidade de longo prazo dos modelos puramente de pagamentos já foi amplamente debatida. O movimento também incorpora preocupações relacionadas à transição para um modelo mais centrado em banking para pequenas e médias empresas, em um contexto de crescimento mais moderado de volumes e juros elevados.

Do ponto de vista de valuation, a companhia reforçou que não há mudanças em suas prioridades estratégicas nem em sua comunicação recente sobre volumes, tendências operacionais ou trajetória até 2027. Apesar do aumento de ruído no curto prazo, a leitura predominante é de preservação da coerência estratégica. Aos níveis atuais de avaliação, com a ação negociada a cerca de 6,2 vezes o lucro estimado para 2026, excluindo a Linx, o papel segue, na visão de analistas, com desconto relevante em relação ao valor intrínseco e potencial de geração de valor relevante até o fim de 2027, caso a execução do plano seja mantida.

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Zinner promoveu amplo reposicionamento

Durante a gestão de Zinner, a Stone promoveu um amplo reposicionamento estratégico. Entre os principais movimentos estiveram o desinvestimento de ativos não essenciais, como a venda da Linx, iniciativas relevantes de eficiência e racionalização de custos, além da adoção de um modelo mais disciplinado de alocação de capital.

Ao mesmo tempo, a empresa reforçou o foco em rentabilidade e execução, avançando na transição de um player predominantemente de pagamentos para uma plataforma mais ampla de serviços financeiros voltada a empreendedores brasileiros, com crescente peso das frentes de banking e crédito.

Nesse contexto, a migração de Zinner para a presidência do conselho é vista como uma evolução natural após a fase de reestruturação. Ainda assim, o anúncio surpreendeu investidores, dado que a percepção predominante era de que a execução do plano estratégico avançava de forma consistente, apoiada por metas ambiciosas para 2027 e por um modelo de remuneração da gestão fortemente atrelado à entrega de resultados.

Reforço de estratégia

Para o BTG, a nomeação de Mateus Scherer reforça a estratégia de sucessão interna da Stone. Apesar de relativamente jovem, o executivo conhece profundamente a companhia e teve papel central na definição da estratégia financeira, na gestão de riscos, na alocação de capital e no desenvolvimento das iniciativas de banking e crédito. No mercado, Scherer é visto como um executivo tecnicamente sólido e bem preparado para liderar a próxima fase da empresa.

Além disso, com a conclusão do desinvestimento da Linx, espera-se que Sandro Bassili assuma o cargo de COO. A criação dessa função é interpretada como um fator adicional de estabilidade para a execução, à medida que a Stone segue integrando operações e ampliando sua oferta de serviços financeiros.

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