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Níquel: um problema que está virando solução para a Vale

Níquel: um problema que está virando solução para a Vale

Após anos queimando caixa e pressionando resultados, o níquel começa a ganhar preço, relevância e potencial de reprecificação na divisão de metais básicos da Vale, segundo o BTG Pactual

Durante anos, o níquel foi visto como um peso morto dentro da estrutura da Vale (VALE3). Apesar de ser uma das maiores produtoras globais do metal — atrás apenas da russa Norilsk —, a divisão acumulou trimestres de EBITDA negativo, consumiu caixa de forma recorrente e se tornou, na prática, um “problema estrutural” aos olhos dos investidores.

Nas últimas semanas, porém, esse diagnóstico começou a mudar. Um movimento inesperado nos preços do níquel, que saltaram de cerca de US$ 14 mil por tonelada para mais de US$ 18 mil — alta superior a 25% em apenas um mês — reacendeu o radar do mercado para um ativo até então esquecido.

Segundo o BTG Pactual (BPAC11), trata-se de um desenvolvimento que ainda passa despercebido em grande parte das conversas com investidores, mas que pode alterar a percepção sobre a divisão de metais básicos da companhia.

“Embora o entusiasmo em torno do cobre não seja exatamente novidade, as últimas semanas trouxeram um movimento de preços favorável para um ativo esquecido e atrasado: o níquel. Historicamente visto como um problema para a Vale, o recente aumento de preços nos surpreendeu positivamente e pode ter implicações relevantes para a reprecificação da divisão de metais básicos”, afirmam os analistas do BTG Pactual.

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Um vento que sopra da Indonésia

O pano de fundo dessa mudança está, em grande medida, fora do Brasil. A Indonésia responde por mais de 50% da oferta global de níquel e, nos últimos anos, foi o principal fator de pressão estrutural sobre o mercado, levando a um cenário persistentemente ofertado.

Agora, no entanto, a incerteza em torno do novo marco regulatório de licenciamento no país tornou-se um catalisador de curto prazo para os preços. O mercado tenta mensurar quanto da produção de minério e da capacidade downstream será, de fato, aprovada para 2026. A proposta da associação local de mineradores (APNI) de limitar a produção a 250 milhões de toneladas, contra estimativas de 379 milhões em 2025, reforçou a percepção de desaceleração da oferta — ainda que não haja decisão formal.

A combinação de atrasos no licenciamento, falta de clareza regulatória e dúvidas sobre a expansão de projetos mantém os preços sustentados mais por precaução do que por um aperto físico já confirmado, segundo o banco.

Impacto material no EBITDA da Vale

No modelo de valuation do BTG, a divisão de metais básicos deve representar entre 15% e 20% do EBITDA consolidado da Vale. O cenário-base assume um EBITDA de aproximadamente US$ 3 bilhões para esse segmento em 2026.

Com a recente alta dos preços de níquel e cobre, essa marcação a mercado poderia elevar o EBITDA consolidado da companhia em cerca de 8%, um impacto considerado relevante pelos analistas. Nesse cenário, o EBITDA da divisão de metais básicos poderia ultrapassar com folga a marca de US$ 4 bilhões.

Esse movimento ganha importância adicional porque, apesar dessa exposição crescente a metais básicos, a Vale segue sendo negociada como uma empresa essencialmente de minério de ferro, a múltiplos próximos de 4x EV/EBITDA — bem abaixo dos 7x a 10x observados em pares globais com portfólio mais diversificado.

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Uma tese para reprecificação

Segundo o BTG, caso os preços se mantenham nesses níveis e a administração continue entregando avanços operacionais, há uma tese clara de reprecificação à frente. Para o banco, faz pouco sentido que a Vale negocie como uma “pure play” de minério de ferro quando cerca de um quinto de seu EBITDA vem — ou pode vir — de metais básicos.

Os analistas reconhecem que existe um legado de desconfiança em relação a essa divisão, fruto de anos de desempenho fraco. Ainda assim, avaliam que as condições atuais são melhores do que o mercado parece precificar.

Em um exercício ilustrativo, se a unidade de metais básicos entregar US$ 4 bilhões de EBITDA e for avaliada a 6,5x — a parte inferior do grupo de comparáveis —, isso poderia destravar algo próximo de 20% de valor de equity apenas com essa reprecificação.

Breakeven pode chegar antes

No Vale Day realizado em dezembro de 2025, a administração reiterou a meta de atingir o ponto de equilíbrio de geração de caixa da divisão até 2027. Um dos pilares dessa estratégia é o programa de eficiência operacional, que já gerou economias anuais de US$ 240 milhões no negócio de níquel, com reduções em despesas administrativas, custos operacionais e capex.

Em termos de custo total, a Vale já alcançou uma redução de 16% em 2025 na comparação com 2023, excluindo efeitos de subprodutos. Com a recente alta dos preços do níquel, o banco avalia que esse cronograma pode ser acelerado.

Recomendação mantida

O BTG reforça a visão construtiva para a Vale, destacando que a companhia superou grande parte dos problemas históricos — institucionais, operacionais e de confiança — e passa por um momento de recuperação junto aos investidores. A combinação de fundamentos mais fortes para minério de ferro, cobre e níquel, além de sazonalidade favorável, sustenta um viés positivo no curto prazo.

A Vale negocia hoje a pouco mais de 4x EV/EBITDA, contra pares australianos a 5x–6x, e oferece um yield de fluxo de caixa cerca de cinco pontos percentuais superior. Mesmo após a alta recente, o banco segue comprador, enxergando dividend yields próximos de 10% em 2026.