A Petrobras (PETR4) afirmou que continua monitorando o cenário de volatilidade no mercado internacional de petróleo, mas destacou que não repassa automaticamente essas oscilações aos preços dos combustíveis. Essa foi a avaliação divulgada pelo BTG Pactual (BPAC11) após a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25).
Segundo o banco, a administração da estatal indicou que a política de paridade de preços permanece inalterada, mas ressaltou que a companhia segue acompanhando o cenário global e pode considerar ajustes caso a volatilidade persista.
“A Petrobras não reage mecanicamente às oscilações de curto prazo do petróleo. As decisões de preços levam em conta um conjunto mais amplo de variáveis”, afirmaram os analistas. Entre os fatores considerados estão os preços internacionais do petróleo, a dinâmica dos fretes e as condições de oferta no mercado doméstico.
Geopolítica do petróleo ainda gera incertezas
Durante a teleconferência, a administração reconheceu que o cenário geopolítico atua continua incerto. Ainda assim, a companhia ressaltou estar estruturalmente posicionada para operar em diferentes patamares de preço do petróleo.
Um dos pontos destacados foi a estratégia logística da estatal, cerca de 30% do frete de exportação de petróleo bruto está contratado por meio de acordos de longo prazo, ante uma média de aproximadamente 10% no restante da indústria. Segundo o BTG, essa abordagem contribui para reduzir a volatilidade nos custos de transporte.
Além disso, as exportações da Petrobras não foram afetadas de forma relevante pelas recentes tensões geopolíticas, uma vez que a maior parte dos embarques é destinada à Europa e à Ásia, regiões que estão fora das áreas com interrupções logísticas mais intensas.
Pré-sal segue como principal motor de produção
No segmento de exploração e produção (E&P), a administração destacou o desempenho robusto do portfólio do pré-sal, com ênfase no campo de Búzios. O ativo já superou a marca de 1 milhão de barris por dia de produção, repetindo o marco alcançado por Tupi e Iracema em 2019.
Segundo a companhia, os esforços atuais estão concentrados em acelerar o ramp-up das plataformas P-78 e P-79, recentemente instaladas. Por outro lado, a Petrobras indicou não haver expectativa de antecipação das plataformas previstas para 2027 — P-80, P-82 e P-83.
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Dividendos e estratégia financeira
Em relação à alocação de capital, a administração reiterou que a companhia segue comprometida com a execução do seu plano de investimentos e, simultaneamente, com a remuneração dos acionistas. A Petrobras aprovou R$ 8,1 bilhões em dividendos — equivalentes a R$ 0,62 por ação —, que serão pagos em duas parcelas entre maio e junho de 2026.
Questionada sobre a possibilidade de adotar operações de hedge para capturar a recente alta do petróleo, a companhia descartou a estratégia, argumentando que o custo seria elevado diante da escala de produção da empresa.
Na avaliação do BTG, caso a Petrobras se beneficie de preços mais altos do petróleo e dos combustíveis e gere excesso de caixa, haveria espaço para a distribuição de dividendos extraordinários — embora ainda seja cedo para confirmar esse cenário.






