Depois de um período prolongado de fraca performance das ações em 2025, a WEG (WEGE3) entra em 2026 em um ambiente que deve seguir marcado por volatilidade, especialmente no curto prazo.
De acordo com o BTG Pactual (BPAC11), o início do ano tende a ser pressionado por crescimento mais fraco, efeitos de tarifas e bases de comparação mais difíceis, enquanto a segunda metade de 2026 deve concentrar uma retomada mais consistente, sustentada pela entrada de nova capacidade e pela resiliência estrutural do negócio.
O 2025 da WEG: fundamentos resilientes e ação volátil
Na avaliação do BTG, 2025 foi um ano turbulento do ponto de vista do desempenho das ações, apesar da manutenção de resultados operacionais sólidos ao longo do período. Após atingir novas máximas em 2024, os papéis da companhia passaram por um período prolongado de fraca performance, à medida que investidores passaram a questionar o ritmo de crescimento, os riscos tarifários e, em determinados momentos, a força do real brasileiro.
Segundo o relatório do banco, esse movimento refletiu um descolamento entre a execução operacional da companhia e a percepção do mercado, que só começou a se reverter nos meses finais do ano, com a redução dos riscos tarifários e a melhora da leitura sobre o crescimento.
“Apesar da fraca performance das ações ao longo de boa parte de 2025, avaliamos que o ano foi importante para confirmar a exposição da companhia ao boom de infraestrutura energética nos Estados Unidos, o que ajudou a mitigar o crescimento mais fraco observado no Brasil”, aponta o BTG Pactual no relatório.
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Por que o início de 2026 tende a ser mais desafiador
Para 2026, os analistas do BTG Pactual avaliam que o ano deve ser marcado por uma dinâmica não linear, especialmente no que diz respeito à percepção de crescimento.
No início do ano, a companhia deve ser impactada negativamente por bases de comparação mais difíceis, menor crescimento no Brasil e pelos efeitos de tarifas, o que tende a resultar em um ritmo de crescimento mais fraco em termos anuais.
Na leitura dos analistas, esse conjunto de fatores deve manter a volatilidade elevada no curto prazo, sobretudo em um contexto em que o valuation da ação já se encontra em patamares mais exigentes após a recuperação observada no fim de 2025.
A virada esperada no segundo semestre
Ainda segundo o relatório, o cenário tende a se tornar mais favorável ao longo da segunda metade do ano. A entrada de nova capacidade nos segmentos de transmissão e distribuição (T&D) deve contribuir para uma aceleração do crescimento, alterando gradualmente a leitura do mercado ao longo de 2026.
“Acreditamos que 2026 será um ano não linear para a companhia. Enquanto o início do ano deve refletir bases mais difíceis e crescimento mais fraco, esperamos uma aceleração na segunda metade, com a entrada de nova capacidade em transmissão e distribuição”, destacam os analistas do BTG Pactual.
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Margens como principal pilar de resiliência
Mesmo em um ambiente mais desafiador no curto prazo, o BTG avalia que a companhia deve apresentar mais um ano de resiliência de margens em 2026. Esse desempenho é atribuído, principalmente, a um mix mais favorável de produtos, com maior participação de projetos de ciclo longo, além da melhora da rentabilidade das operações internacionais.
Embora o mercado espere alguma acomodação das margens diante de ventos contrários de curto prazo — especialmente relacionados aos impactos de tarifas nos Estados Unidos —, o relatório aponta que, caso as margens se mostrem mais resilientes do que o esperado, pode haver espaço para uma reação positiva das ações.
Valuation elevado, mas narrativa segue viva
Após a forte alta observada no fim de 2025, o BTG Pactual reconhece que o valuation da companhia já não é considerado atrativo nos níveis atuais, com a ação negociando a múltiplos elevados de preço sobre lucro. Ainda assim, o relatório destaca fatores que podem voltar a colocar o papel em evidência ao longo de 2026.
Entre eles, os analistas apontam um cenário político persistentemente mais arriscado no Brasil, que pode estimular movimentos de flight to quality no mercado acionário, além do fortalecimento da narrativa de investimentos em infraestrutura energética nos Estados Unidos, que tende a favorecer a percepção dos investidores em relação à companhia.
Catalisadores que o mercado vai monitorar em 2026
De acordo com o BTG, o ritmo de crescimento segue como o principal catalisador para o desempenho das ações, especialmente em um contexto de valuation elevado. Diante da fraqueza do mercado doméstico, os analistas esperam que os mercados externos exerçam papel central nessa dinâmica.
Além disso, a rentabilidade e a resiliência das margens continuarão no radar dos investidores.
Outro ponto de atenção destacado no relatório é a possibilidade de novas aquisições, que historicamente tiveram papel relevante na expansão da companhia e responderam por cerca de um terço do crescimento ao longo de ciclos anteriores.
Na leitura do BTG Pactual, 2026 tende a ser um ano que exigirá acompanhamento atento da evolução do crescimento e da execução ao longo do ciclo. A expectativa é de que a combinação entre volatilidade no curto prazo e fundamentos estruturais resilientes continue moldando a percepção do mercado em relação à companhia ao longo do ano.






