Descubra as 10 Maiores Pagadoras de Dividendos da Bolsa
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Taesa começa a se despedir das favoritas em dividendos

Taesa começa a se despedir das favoritas em dividendos

Mesmo com dividendos elevados no curto e médio prazo, valuation esticado, retorno real abaixo do juro soberano e vencimento de concessões reduzem a atratividade relativa do papel, segundo o Bradesco BBI

A Taesa (TAEE11) construiu, ao longo dos últimos anos, a reputação de uma das principais ações de dividendos da Bolsa brasileira. Com geração de caixa previsível e política consistente de distribuição de proventos, o papel se consolidou como escolha certa entre investidores focados em renda.

No entanto, a atualização mais recente do Bradesco BBI sugere que essa tese começa a perder força do ponto de vista relativo. Embora a companhia siga como forte pagadora de dividendos, o banco avalia que essa característica já está refletida no preço das units, limitando o retorno potencial do investimento.

Taesa: dividendos seguem fortes — mas não são mais diferencial

No curto e médio prazo, a capacidade de geração de caixa da Taesa permanece intacta. O Bradesco BBI estima dividend yields elevados entre 8% e 11% no período de 2026 a 2031, sustentados pela base atual de ativos e pela entrada gradual de novos projetos em operação.

O relatório também incorpora ajustes no cronograma de implantação de investimentos e na inicialização de quatro ativos greenfield em construção, que devem adicionar cerca de R$ 400 milhões em receita potencial entre 2027 e 2028, o equivalente a aproximadamente 12% da receita atual da companhia.

Ainda assim, o banco destaca que a manutenção de dividendos elevados, por si só, já não representa um diferencial competitivo, uma vez que boa parte dessa expectativa foi antecipada pelo mercado.

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Retorno real abaixo do juro soberano pesa na tese

Outro ponto central da análise é a comparação entre o retorno esperado da ação e o juro real disponível no mercado. De acordo com o Bradesco BBI, ao preço atual, a Taesa embute uma taxa interna de retorno (TIR) real implícita de aproximadamente 4%.

Esse nível de retorno fica abaixo do juro real oferecido por títulos públicos indexados à inflação, como os papéis do Tesouro IPCA+ de longo prazo, que operam acima de 7% ao ano. Na avaliação do banco, essa relação reduz a atratividade relativa do papel, uma vez que o investidor assume riscos regulatórios, operacionais e de concessão para obter um retorno inferior ao do risco soberano

Concessões no radar reforçam cautela no longo prazo

A análise também chama atenção para o perfil de vencimento das concessões da companhia. Uma parcela relevante dos contratos expira entre 2030 e 2032, o que pode pressionar receitas e lucros no horizonte mais longo.

Embora o relatório incorpore o reembolso de ativos não depreciados ao final das concessões — incluindo cerca de R$ 1,10 por ação relacionado a investimentos de manutenção e reforço —, o banco ressalta que a incerteza regulatória em torno desses valores reforça a necessidade de cautela na avaliação do papel.

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Valuation limita ganhos e abre espaço para perdas

Por volta das 10h30 desta quinta-feira (8), as units da Taesa eram negociadas a R$ 41,58, patamar acima do novo preço-alvo de R$ 38 estimado pelo Bradesco BBI para o fim de 2026.

Essa diferença implica um potencial implícito de queda de cerca de 8,6%, mesmo após a revisão positiva do valuation promovida pelo banco. A elevação do preço-alvo, portanto, não foi suficiente para alterar a leitura de assimetria desfavorável do papel, o que levou à manutenção da recomendação de venda.

Segundo o relatório, a alta avaliação relativa limita o espaço para valorização adicional, especialmente em um cenário no qual os principais vetores positivos já estão refletidos nas cotações.

Renda segue no curto prazo, mas a assimetria mudou

Na leitura do Bradesco BBI, a Taesa não deixa de ser uma empresa sólida e geradora de caixa, nem perde sua capacidade de distribuir dividendos relevantes nos próximos anos. O ponto central, porém, é que o preço atual já reflete essa qualidade, reduzindo o retorno esperado do investimento.

Com valuation pressionado, retorno real inferior ao juro soberano e riscos estruturais no horizonte de concessões, a companhia começa a perder espaço entre as favoritas automáticas de dividendos, ainda que siga relevante no universo de renda.