Após o IPO da SpaceX ter levantado um total de US$ 85,7 bilhões na Nasdaq sob o código SPCX (SPCX34 no Brasil) a US$ 135 por ação, os ativos continuam em alta e já são negociados a US$ 192,50. É uma valorização de 44% em apenas dois dias de pregão.
No entanto, para o analista internacional da EQI Investimentos, Marink Martins, agora é preciso refletir sobre a diferença entre uma tecnologia revolucionária e um investimento vencedor.
“Elon Musk é, sem dúvida, um mestre das narrativas e da criação de valor percebido. Mas ser o rei do valuation não garante que um dia ele será o rei da lucratividade – como tem se mostrado Jensen Huang, da Nvidia (NVDC34)”, explica.
Nesta segunda-feira, a SpaceX já está avaliada em US$ 2,5 trilhões.
Ele ressalta que a história dos mercados está repleta de empresas que mudaram o mundo, mas não enriqueceram seus investidores na mesma proporção.
Lock-ups
Martins pontua que é preciso ressaltar o risco associado a lock-ups (período em que os investidores não podem vender as ações) ao longo dos próximos 6 meses.
“As liberações deverão trazer bastante volatilidade ao papel ao longo da jornada inicial”, destaca.
A SpaceX estruturou um modelo diferente de lock-up para suas ações, substituindo a regra tradicional de 180 dias por um sistema escalonado, com liberações condicionadas ao tempo.
Após a divulgação do resultado do 2º trimestre, os acionistas podem vender até 20% de suas participações, com possibilidade de liberação adicional de 10% caso o papel atinja valorização relevante no mercado.
Em paralelo, parcelas de 7% das ações são liberadas progressivamente entre 70 e 135 dias após a oferta, criando um fluxo contínuo de destravamento. Já depois do resultado do terceiro trimestre, mais 28% das ações se tornam elegíveis para venda.
Ao final, no marco de 180 dias, quaisquer papéis ainda restritos passam a ser negociáveis livremente.

Riscos e missão
O especialista também chama a atenção para a missão da empresa, vista por ele como “vaga”, publicada pela SpaceX em seu prospecto de distribuição.
“Nossa missão é desenvolver os sistemas e as tecnologias que permitirão à humanidade tornar-se uma civilização multiplanetária , compreender a verdadeira natureza do universo e levar a luz da consciência às estrelas”, mostra um trecho da declaração.
Cheque em branco
Martins ressalta que a empresa, constituída em 2002, avançou muito na exploração do espaço, e 80% do que foi lançado teve a ver com o SpaceX. Agora, o que é importante entender que o mercado endereçável, que ela já ocupa.
“Não se trata de uma empresa que para levar o homem à Lua ou à Marte. Isso, aparentemente, não dá dinheiro. A própria empresa afirma que a parte de crescimento tem mesmo a ver com inteligência artificial (xAI) e data centers no espaço, o que ainda não foi feito”, pontua.
Ele compara a um investimento com um “cheque em branco”.
“Ou seja, muito parecido com as SPACs (Sociedades para Propósitos Específicos) para aquisições, que decepcionaram nos EUA há 5 anos. Quando você compra uma ação hoje, ela é de uma empresa que não vai crescer por aquisição, mas por inovação. É um título de propriedade de uma empresa que teve uma receita de só US$ 18 bilhões em 2025. O preço sobre vendas supera 100 vezes”, destaca.
Desta forma, a aposta na SpaceX é em algo transformacional na parte de inteligência artificial.
“Ou seja, todos ativos não geram muitas receitas ainda. Tudo que é projetado está no futuro. O investidor está comprando um “track record” do Elon Musk. São narrativas, pontua.
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