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Shopee cresce como fintech no Brasil e chama atenção do mercado

Shopee cresce como fintech no Brasil e chama atenção do mercado

Segundo análise do BTG Pactual, a plataforma vem construindo uma operação relevante de financiamento no país

A Shopee, empresa controlada pela Sea Limited ($S2EA34), está ampliando sua atuação no Brasil para além do comércio eletrônico e começa a chamar a atenção do mercado financeiro por sua rápida expansão no segmento de crédito. Segundo análise do BTG Pactual, a plataforma vem construindo uma operação relevante de financiamento no país, transformando o crédito em uma nova frente de competição no setor de e-commerce.

O banco mapeou os dois Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) da Shopee registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e identificou uma forte aceleração da carteira. Em maio, o portfólio consolidado de operações com prazo inferior a 360 dias alcançou cerca de R$ 6,2 bilhões, volume equivalente a aproximadamente 78% da carteira comparável mantida pelo Mercado Livre (MELI34) no Brasil, estimada em R$ 7,9 bilhões.

Na avaliação do BTG, os números mostram que a Shopee está deixando de competir apenas por preço, logística e subsídios para avançar na construção de um ecossistema mais amplo, que combina marketplace, serviços financeiros e monetização de usuários.

Expansão acelerada do crédito

Os dados mostram que a carteira de crédito da Shopee cresceu 217% em relação a maio do ano passado e avançou 6% na comparação mensal, um ritmo significativamente superior ao observado em concorrentes do setor.

Grande parte desse crescimento está concentrada no MONEE FIDC I, principal veículo utilizado pela companhia para financiar sua operação de crédito no país.

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Embora o fundo exista desde 2022, a expansão ganhou força apenas a partir de 2025. Desde janeiro do ano passado, a carteira saltou de R$ 1,5 bilhão para os atuais R$ 5,6 bilhões, um crescimento de aproximadamente R$ 4,1 bilhões.

Para os analistas do BTG, a criação de um segundo FIDC no segundo semestre de 2025 sugere que a empresa está ampliando sua capacidade de financiamento e preparando terreno para uma expansão ainda maior da operação.

“A velocidade de crescimento indica que a Shopee está utilizando o crédito como parte central de sua estratégia de ecossistema no Brasil”, aponta o relatório.

Nova frente de competição no e-commerce

Segundo o BTG, a disputa entre as plataformas de comércio eletrônico está entrando em uma nova fase.

Nos últimos anos, a competição foi marcada principalmente por investimentos em logística, frete subsidiado, promoções agressivas e busca por participação de mercado. Agora, o crédito começa a surgir como um diferencial estratégico.

A oferta de financiamento pode beneficiar tanto consumidores quanto vendedores da plataforma. Para os compradores, o crédito pode aumentar a capacidade de consumo e estimular novas compras. Já para os lojistas, as linhas de financiamento podem ajudar no capital de giro e na expansão dos negócios.

Além disso, a grande quantidade de dados gerados pelas transações dentro do marketplace permite análises mais precisas sobre o comportamento dos usuários, potencialmente melhorando os modelos de concessão de crédito.

“O crédito pode aumentar o engajamento dos usuários, melhorar a conversão de vendas e ampliar a monetização da plataforma”, destaca o banco.

Qualidade da carteira ainda é ponto de atenção

Apesar do forte crescimento, o BTG faz um alerta sobre a necessidade de acompanhar a evolução da qualidade da carteira.

Segundo os analistas, ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre os níveis de inadimplência da operação, uma vez que boa parte dos financiamentos foi concedida recentemente.

Em carteiras muito novas, os indicadores de atraso costumam parecer mais saudáveis porque muitos contratos ainda não tiveram tempo suficiente para migrar para faixas mais elevadas de inadimplência.

Por isso, o banco considera prematuro comparar diretamente a operação da Shopee com a do Mercado Livre, cuja carteira de crédito possui histórico mais longo e maior maturidade.

“O quadro de qualidade de crédito ainda está incompleto”, afirmam os analistas.

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