Os investidores globais já começam a ver as ações do Nubank (ROXO34) como atraentes após a desvalorização de quase 30% em 2026. A percepção foi colhida pelo Bank of America em um encontro sobre o setor bancário brasileiro com 15 investidores globais em Nova York e Boston na semana passada, mostra um relatório enviado a clientes nesta terça-feira (23).
Segundo eles, a fraqueza recente cria um ponto de entrada atrativo para quem tem horizonte de longo prazo.
Os principais fatores de preocupação deles com o setor são o ambiente de juros mais altos por mais tempo, as eleições presidenciais de outubro e a deterioração das tendências de qualidade de ativos, que limitam a visibilidade de lucros do setor financeiro brasileiro.
Nubank divide opiniões, mas maioria vê valor
O Nubank foi o papel mais debatido entre os investidores ouvidos pelo banco. A maioria mantém uma visão positiva estrutural de longo prazo.
Contudo, os poucos investidores com visão negativa compartilham preocupações com a estratégia de expansão para os Estados Unidos, a deterioração da qualidade de ativos, o enfraquecimento do índice de eficiência e os riscos de execução decorrentes das várias mudanças na alta gestão ao longo do último ano.
Apesar das divergências, a visão construtiva prevalece. Entretanto, o BofA observa que os riscos operacionais e de execução seguem como pontos de atenção relevantes para quem monitora a tese da fintech brasileira de perto.
Itaú e BTG seguem como favoritos defensivos
Itaú (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) permanecem como as principais posições dos investidores globais no setor financeiro brasileiro, valorizados pela qualidade superior das equipes de gestão e pelos elevados níveis de rentabilidade. A postura defensiva predomina, e os dois nomes são vistos como proteção em um cenário de maior incerteza macroeconômica e política no Brasil.
Por outro lado, a maioria dos investidores expressou preocupação com o ciclo de deterioração da qualidade de ativos, dado o número recorde de pedidos de recuperação judicial e os elevados níveis de endividamento das famílias. O sentimento é mais negativo em relação a Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11), que enfrentam maior exposição a esses riscos.
Seguradoras e B3 ganham destaque
O interesse por seguradoras aumentou diante da perspectiva de juros mais altos por mais tempo, já que os resultados financeiros representam entre 20% e 30% dos lucros do setor.
O Bank of America mantém preferência por Caixa Seguridade (CXSE3) entre as seguradoras, embora sinalize que a BB Seguridade ($BBSE) pode ser negativamente impactada pela crise no setor rural e por um potencial Super El Niño no segundo semestre.
A B3 ($B3SA3) também ganhou preferência sobre a XP (XPBR31) entre os investidores, dado seu perfil de lucros mais defensivo, enquanto o interesse em PagSeguro (PAGS34) e Stone (STOC31) permaneceu bastante limitado, uma vez que a Selic mais alta tende a pressionar as despesas financeiras dessas companhias.
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