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Queda no transporte pressiona perspectivas para a Marcopolo, diz Safra

Queda no transporte pressiona perspectivas para a Marcopolo, diz Safra

Dados da ANTT mostram queda de 14% nas vendas de passagens rodoviárias em maio, enquanto o transporte aéreo ganha participação de mercado

A redução do número de passageiros no transporte rodoviário interestadual e o avanço da aviação comercial continuam desenhando um cenário desafiador para a Marcopolo (POMO4), na avaliação do Banco Safra. Em relatório divulgado após a publicação dos dados de maio pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o banco classificou os números como negativos para a fabricante de ônibus.

Segundo a ANTT, as vendas de passagens rodoviárias interestaduais somaram 2,57 milhões de bilhetes em maio, uma queda de 14% na comparação com o mesmo mês de 2025. A receita do setor também recuou, totalizando R$ 419 milhões, baixa de 6% na mesma base de comparação.

Para os analistas do Safra, a retração reflete, em parte, o aumento dos preços das passagens rodoviárias, que avançaram cerca de 9% em relação ao ano anterior. O reajuste ocorreu em um momento em que a demanda por viagens de longa distância mostra sinais de enfraquecimento.

“A queda nas vendas de passagens rodoviárias interestaduais e a perda de participação para o transporte aéreo representam um sinal negativo para a Marcopolo”, afirmaram os analistas.

Segmentos premium mostram maior resiliência

Os dados revelam que a desaceleração atingiu principalmente as categorias mais tradicionais do transporte rodoviário.

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As passagens de ônibus convencional registraram queda de 20% no volume vendido em maio, para 511,5 mil unidades. A receita do segmento caiu 12%, para R$ 80 milhões.

O segmento executivo também apresentou retração significativa, com redução de 19% nas vendas de bilhetes e de 17% na receita.

Por outro lado, as categorias de maior valor agregado mostraram desempenho mais resiliente. As vendas de passagens leito recuaram 12% na comparação anual, mas cresceram 8% em relação a abril. Já a receita do segmento avançou 3% em um ano.

No caso dos ônibus semileito, o número de passageiros ficou praticamente estável em relação a maio de 2025, enquanto a receita aumentou 5%.

Os números indicam uma migração gradual da demanda para serviços mais confortáveis, tendência que vem sendo observada nos últimos anos pelas empresas do setor.

Aviação ganha espaço mesmo com passagens mais caras

Enquanto o transporte rodoviário perdeu passageiros, o mercado aéreo apresentou crescimento.

Os dados da ANAC mostram que as vendas de passagens aéreas avançaram 1% em maio na comparação anual e 3% frente ao mês anterior.

O dado chama a atenção porque ocorreu mesmo diante de uma forte alta das tarifas aéreas. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os preços das passagens de avião subiram 43% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ainda assim, o transporte aéreo conseguiu ampliar sua participação nas viagens de longa distância. Nos meses de abril e maio, o modal rodoviário respondeu por 20% desse mercado, abaixo da média histórica de 24%.

A participação também ficou inferior aos 22% observados em maio de 2025.

Combustível e medidas do governo ajudam companhias aéreas

Na avaliação do Safra, parte da explicação para a maior competitividade das companhias aéreas está relacionada ao comportamento dos preços das passagens.

Apesar da pressão dos custos com combustível, as empresas do setor não teriam repassado integralmente essas despesas aos consumidores.

“As tarifas permanecem apenas cerca de 4% acima dos níveis observados antes do conflito geopolítico que pressionou os preços dos combustíveis”, destacou o banco.

Além disso, medidas adotadas pelo governo para reduzir os custos do querosene de aviação também podem ter contribuído para sustentar a demanda por voos em um ambiente econômico mais desafiador.

Impacto para a Marcopolo

Como uma das principais fabricantes de carrocerias de ônibus do mundo, a Marcopolo acompanha de perto os indicadores de demanda do transporte rodoviário, uma vez que o desempenho das empresas de transporte influencia diretamente os investimentos em renovação e ampliação de frotas.

Embora os dados de um único mês não sejam suficientes para determinar uma tendência de longo prazo, o Safra avalia que a combinação de menor volume de passageiros, perda de participação para o transporte aéreo e desaceleração das receitas do setor cria um ambiente menos favorável para novos investimentos das empresas rodoviárias.

Por isso, o banco mantém uma leitura cautelosa para a companhia no curto prazo, entendendo que os indicadores de maio reforçam os desafios enfrentados pelo setor de transporte rodoviário de passageiros e, consequentemente, pela cadeia de produção de ônibus.

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