O Bradesco BBI reduziu o preço-alvo das ações da Randoncorp (RAPT4) de R$ 8,00 para R$ 6,00 e da Fras-le (FRAS3) de R$ 26,00 para R$ 24,00, mantendo recomendação neutra para ambas. A revisão foi motivada pelos dados fracos de receita de maio e pela falta de confiança em uma recuperação do setor no curto prazo.
A Randoncorp divulgou queda de 8,4% na receita líquida de maio em relação ao ano anterior — revertendo a alta de 1,3% registrada em abril —, com recuo adicional de 4,4% na comparação mensal.
“Esse resultado fraco reduz nossa confiança de que uma recuperação do setor esteja em curso”, afirmaram os analistas Daniel Federle e Wellington Lourenço, do Bradesco BBI.
Valuation pouco atrativo em cenário desafiador
A Randoncorp negocia atualmente a um P/L de 22 vezes para 2026 — múltiplo considerado pouco atrativo pelo BBI no cenário atual. Embora as ações estejam em mínimas de cinco anos, os analistas evitam classificar esse nível como oportunidade de compra.
“Não temos confiança para considerar isso uma oportunidade de compra, dado o cenário macroeconômico ainda desfavorável”, destacaram Federle e Lourenço.
A Fras-le apresenta desempenho de receita e margem mais sólido. Contudo, a ação negocia com prêmio, a um P/L de 16 vezes para 2026, o que o BBI considera elevado frente ao crescimento ainda modesto de receita no curto prazo. O banco reduziu a estimativa de lucro líquido da Fras-le em 6%, para R$ 360 milhões, refletindo o impacto de taxas de juros mais elevadas.
Setor segue pressionado por juros e fraqueza estrutural
O ambiente macroeconômico permanece hostil para setores cíclicos. Os licenciamentos de caminhões caíram 14% e os de implementos recuaram 13% nos primeiros cinco meses de 2026, com tendências negativas persistindo em maio.
“Acreditamos que taxas de juros elevadas por mais tempo, um segmento de agronegócio ainda pressionado e preços elevados do diesel devem limitar uma recuperação no curto prazo”, avaliaram Daniel Federle e Wellington Lourenço.
O programa Move Brasil 2 pode oferecer suporte incremental ao setor. Entretanto, os analistas adotam postura cautelosa e projetam apenas estabilização sequencial, com vendas de caminhões e implementos ainda em declínio anual no segundo e terceiro trimestres.
A relação Dívida Líquida/EBITDA da Randoncorp em 3,2 vezes no primeiro trimestre é outro fator de atenção, tornando as taxas de juros um catalisador potencial relevante — mas que caminha na direção oposta ao esperado.
EBITDA cresce, mas lucro segue pressionado
O foco da administração em eficiência deve sustentar expansão de margens em 2026. O BBI estima crescimento de 13% no EBITDA ajustado da Randoncorp, com margem EBITDA consolidada atingindo 13,5% — próximo ao limite superior do guidance de 12% a 14%. Entretanto, o lucro líquido deve permanecer pressionado pelas despesas financeiras, com projeção reduzida para R$ 73 milhões.
Para a Fras-le, o BBI projeta crescimento de receita de 2% na comparação anual e margem EBITDA de 18,8% — ligeiramente acima do ponto médio do guidance —, beneficiada pelo câmbio favorável à estrutura de custos.
“Nossa falta de confiança quanto a 2027 nos mantém à margem”, concluíram os analistas, reiterando a postura cautelosa para ambos os papéis enquanto os catalisadores de recuperação permanecem incertos.






