A Compass (PASS3) está bem posicionada para se beneficiar da transformação em curso no mercado brasileiro de gás natural, combinando a estabilidade de um negócio regulado com novas oportunidades de crescimento em segmentos ainda pouco explorados pelos investidores. Essa é a avaliação do Santander, que iniciou a cobertura das ações da companhia com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 34,05 para 2027, o que representa um potencial de valorização de 49,4%.
Segundo o banco, o mercado ainda enxerga a Compass principalmente como uma distribuidora de gás, sem incorporar plenamente o valor da Edge, plataforma de comercialização e infraestrutura que pode se tornar um dos principais motores de crescimento da empresa nos próximos anos.
“Há espaço para uma reprecificação positiva à medida que a execução da estratégia da Edge se torne mais evidente”, afirmam os analistas André Sampaio, Guilherme Lima e João Pedro Herrero no relatório.
Edge pode capturar oportunidades da abertura do mercado de gás
Na visão do Santander, o diferencial da Compass está justamente na combinação entre ativos consolidados e a exposição à evolução do mercado livre de gás no Brasil.
Enquanto o segmento de distribuição oferece previsibilidade de receitas e geração de caixa, a Edge representa uma aposta na expansão da comercialização e da infraestrutura do setor, beneficiada pelas mudanças regulatórias que vêm ampliando a competição e abrindo espaço para novos participantes.
Para os analistas, essa opcionalidade de crescimento ainda não está totalmente refletida no valor de mercado da companhia.
O banco estima que a Edge responda por R$ 14,52 do preço-alvo de R$ 34,05 por ação, quase metade do valor atribuído à Compass em sua análise por soma das partes.
Distribuição garante estabilidade da operação
Embora a Edge concentre o potencial de valorização, a distribuição de gás continua sendo a base da tese de investimento.
A Compass possui participação em sete concessões de distribuição, incluindo a Comgás, a maior distribuidora de gás natural do país. O negócio é sustentado por contratos de longo prazo, retornos regulados e tarifas indexadas à inflação, características que proporcionam forte previsibilidade de caixa.
Segundo o Santander, esse segmento continuará sendo responsável por financiar dividendos, investimentos orgânicos e novas iniciativas de crescimento.
“A distribuição permanece como a espinha dorsal do grupo”, destaca o relatório.
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