O Santander (SANB11) iniciou a temporada de balanços dos grandes bancos brasileiros com um resultado abaixo das expectativas, reforçando as preocupações do mercado sobre a capacidade da instituição de recuperar sua rentabilidade. Em relatório divulgado após a publicação do balanço do segundo trimestre de 2026, o BTG Pactual (BPAC11) classificou o período como “desafiador” e manteve uma visão cautelosa para as ações do banco.
Na avaliação dos analistas, o retorno sobre o patrimônio (ROE) de 12% continua distante da meta de 20% estabelecida pelo Santander para os próximos anos. O BTG destaca que a combinação entre menor crescimento das receitas, aumento das provisões para crédito e expansão dos ativos fiscais diferidos (DTAs) tem limitado a geração de lucro e dificultado o fortalecimento do patrimônio tangível.
Na avaliação do BTG Pactual, o Santander atravessa um momento de transição que deve exigir mudanças importantes sob a liderança do novo CEO, Gilson Finkelsztain, que assumiu o comando da instituição em julho, após o encerramento do trimestre.
Os analistas afirmam que o banco enfrenta um cenário complexo ao buscar uma carteira de clientes de menor risco, estratégia que reduz o crescimento das receitas no curto prazo, enquanto ainda precisa lidar com elevados níveis de provisões relacionados à carteira antiga.
Além disso, os juros elevados continuam pressionando as receitas financeiras, enquanto o crescimento dos ativos fiscais diferidos reduz o patrimônio tangível e limita a capacidade de geração de lucro.
Lucro abaixo das expectativas
O Santander reportou lucro líquido de R$ 3 bilhões no segundo trimestre, queda de 20% em relação ao trimestre anterior e de 18% na comparação anual. O resultado ficou 16% abaixo do consenso do mercado.
O BTG ressalta, porém, que a maior preocupação foi o desempenho operacional. O lucro antes dos impostos caiu para R$ 2,5 bilhões, recuo superior a 40% tanto na comparação trimestral quanto na anual, desempenho considerado significativamente inferior ao esperado.
Segundo o banco de investimentos, o resultado só não foi ainda mais fraco graças a um efeito positivo de impostos no trimestre.
Margem financeira continua pressionada
Na carteira de crédito, o Santander registrou crescimento de 1% em relação ao trimestre anterior, alcançando R$ 714,8 bilhões.
A expansão foi impulsionada principalmente pelo financiamento de veículos — especialmente modelos híbridos e elétricos — e pelo crédito para pequenas e médias empresas, favorecido por programas com garantia do governo.
Por outro lado, a margem financeira com clientes caiu 3% na comparação trimestral, para R$ 16,1 bilhões. O BTG atribui o desempenho à pior composição da carteira de crédito, ao impacto da redução da Selic sobre as margens de captação e ao aumento das despesas diferidas relacionadas aos correspondentes bancários.
Provisões em alta
Outro ponto de preocupação foi o aumento das despesas com provisões para perdas com crédito.
As provisões cresceram 21% em relação ao primeiro trimestre, totalizando R$ 7,7 bilhões e superando em cerca de 15% a projeção do BTG.
Embora parte da alta esteja relacionada a mudanças na política de baixa de créditos inadimplentes e a casos específicos envolvendo grandes empresas, os analistas afirmam que os indicadores subjacentes continuam mostrando deterioração, especialmente entre clientes de menor renda, empresas do agronegócio e pequenos negócios.
O relatório destaca que a redução observada nos índices oficiais de inadimplência foi influenciada pela mudança metodológica adotada pelo banco. Sem esse efeito, a inadimplência acima de 90 dias teria apresentado alta no trimestre.






