A Minerva (BEEF3) deve entregar um segundo trimestre de 2026 sequencialmente mais forte, sustentado por volumes robustos de exportação para a China a partir das operações brasileiras e para os Estados Unidos, especialmente via Argentina — beneficiada pela cota adicional de exportação do país.
Apesar do resultado positivo esperado, a XP Investimentos avalia que o trimestre não deve funcionar como catalisador relevante para revisões de estimativas ou para as ações.
“A visibilidade de resultados continua limitada, e os preços mais elevados do gado, combinados a uma dinâmica de exportação mais desafiadora, devem pressionar as margens no terceiro trimestre”, afirmam Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, analistas da XP Investimentos.
Receita e Ebitda crescem, mas margens recuam
A XP projeta receita líquida de R$ 14,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 2% na comparação anual e de 6% em relação ao primeiro trimestre, impulsionada por preços 17% mais elevados do que no mesmo período do ano anterior e por volumes embarcados 18% maiores na comparação sequencial.
No entanto, a alta contínua dos preços do gado ao longo do trimestre deve pressionar a margem bruta para 16,8% — queda de 0,8 ponto percentual anual —, resultando em lucro bruto de R$ 2,3 bilhões.
A melhor diluição das despesas com vendas deve sustentar um Ebitda ajustado de R$ 1,2 bilhão, alta de 9% sequencial, mas queda de 7% na comparação anual.
“Projetamos margem Ebitda ajustada de 8,6%, queda de 0,78 ponto percentual anual e alta de 0,24 ponto percentual sequencial”, detalham Alencar e Paiva.
Estoques mais seletivos e geração de caixa limitada
Dada a sazonalidade historicamente mais forte de vendas no segundo semestre, a XP espera geração de caixa livre marginalmente positiva de R$ 100 milhões no trimestre, refletindo algum aumento de estoques.
No entanto, ao contrário do ano passado, os analistas não esperam que a Minerva amplie e consolide estoques de forma relevante para capturar preços mais altos nos Estados Unidos.
“Em vez disso, vemos a formação de estoques ocorrendo de maneira mais seletiva, focada em mercados e oportunidades específicas”, ressaltam os analistas da XP.
Essa abordagem mais disciplinada deve preservar o caixa da companhia diante de um ambiente de margens pressionadas.
Segundo semestre exige cautela
Apesar do resultado mais sólido no segundo trimestre de 2026, a XP mantém cautela em relação ao restante do ano. Os preços mais elevados do gado e uma dinâmica de exportação mais desafiadora devem pressionar as margens no terceiro trimestre.
“Uma aceleração mais significativa dos volumes vendidos deve ocorrer apenas no quarto trimestre de 2026, sustentada pela sazonalidade e pela retomada dos embarques para a China”, concluem Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.






