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Motiva: BBI entra no negócio, mas já procura comprador

Motiva: BBI entra no negócio, mas já procura comprador

Oferta vinculante de junho implicou preço de cerca de R$ 14,26 por ação, valorizando a Motiva em aproximadamente R$ 28,8 bilhões no total

A Motiva (MOTV3) anunciou nesta segunda-feira (28) à noite a conclusão do terceiro e último passo de um processo iniciado em 27 de abril.

O Grupo Mover — controlado pela Sucea e pela Sincro, ambas em recuperação judicial — assinou documentos definitivos para a venda de sua participação integral de 14,86% na Motiva, equivalente a 300,1 milhões de ações ordinárias, ao Bradesco BBI.

Os demais membros do bloco de controle — Soares Penido, Itaúsa e Votorantim — optaram por não exercer o direito de preferência, confirmando o banco como comprador.

O negócio ainda aguarda aprovações governamentais e o cumprimento de condições precedentes usuais para esse tipo de operação, incluindo aval do regulador, da autoridade concedente e do juízo da recuperação judicial.

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Operação neutra a levemente positiva para minoritários

O banco Safra avalia o movimento como neutro a levemente positivo para os acionistas minoritários da Motiva. A operação não aciona direito de tag along nem oferta pública obrigatória, uma vez que a companhia em si não está mudando de mãos — trata-se apenas da substituição de um membro do bloco de controle por outro.

“Lemos o evento como marginalmente construtivo, principalmente porque elimina um overhang bem sinalizado: um vendedor em dificuldades financeiras saindo por um preço sem prêmio de controle relevante”, afirmam Luiz Peçanha e Arthur Godoy, analistas do Safra.

A oferta vinculante de junho implicou preço de aproximadamente R$ 14,26 por ação, avaliando a fatia em cerca de R$ 4,28 bilhões e a Motiva como um todo em aproximadamente R$ 28,8 bilhões — embora o preço final acordado não tenha sido divulgado no comunicado de 28 de julho.

Risco se desloca, não desaparece

Apesar do alívio imediato, o Safra alerta que o risco não desaparece com a transação — ele apenas muda de natureza. O Grupo Mover era um vendedor forçado em recuperação judicial; o Bradesco BBI é um comprador financeiro sem interesse estratégico em operar concessões.

“Nossa principal ressalva é que o Bradesco BBI é um banco, não um operador de concessões, e esperamos que essa seja uma posição transitória até uma possível venda a um comprador estratégico”, ressaltam Peçanha e Godoy.

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