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Positivo: Ações despencam após balanço; o que fazer?

Positivo: Ações despencam após balanço; o que fazer?

Apesar de geração de caixa operacional de R$ 91 milhões e melhora na alavancagem, prejuízo líquido e fraqueza em contratos públicos levaram os papéis a recuar 6% na sessão seguinte ao balanço.

As ações da Positivo (POSI3) caíram 6% nesta quinta-feira (14), sessão seguinte à divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, refletindo a reação dos investidores a um resultado considerado misto pelos analistas: avanços relevantes em Ebitda e geração de caixa coexistiram com receita abaixo das estimativas, lucro líquido ainda no vermelho e persistente fraqueza no segmento de instituições públicas.

A receita líquida totalizou R$ 741 milhões entre janeiro e março, crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025, mas 2% abaixo da projeção dos analistas da XP Investimentos.

O Ebitda surpreendeu positivamente, atingindo R$ 70 milhões — alta de 31% na comparação anual e 10% acima do estimado —, com margem expandindo cerca de 200 pontos-base para 9,4%. O lucro líquido, no entanto, permaneceu negativo em R$ 12 milhões, pressionado por despesas financeiras elevadas diante de uma Selic ainda alta, variação cambial e necessidades crescentes de capital de giro.

Servidores e serviços puxam crescimento

O destaque positivo do trimestre ficou por conta do segmento de Infraestrutura, Serviços e Soluções de TI (ISS), que respondeu por 52% da receita total, consolidando a transição da companhia para negócios de maior valor agregado.

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Dentro desse segmento, as receitas de servidores dispararam 186% na comparação anual, chegando a R$ 103 milhões, sustentadas por projetos de supercomputação, nuvem híbrida e iniciativas ligadas à inteligência artificial. A plataforma Positivo S+ também avançou 21% para R$ 156 milhões, enquanto os serviços totais cresceram 13% no período.

Em sentido oposto, o segmento de instituições públicas voltou a decepcionar, com receitas caindo 46% na comparação anual para R$ 104 milhões. Atrasos em processos licitatórios, renegociações contratuais e pedidos de reequilíbrio econômico em razão do encarecimento global de componentes de memória explicam o recuo.

“A tese de investimento ainda depende de uma recuperação mais consistente em Instituições Públicas e de uma conversão mais forte do EEbitda em rentabilidade final”, avaliaram os analistas Bernardo Guttmann e Luis Chagas, da XP Investimentos.

O segmento Consumer registrou alta de 5% na receita, para R$ 261 milhões, beneficiado pelo crescimento em vendas diretas ao consumidor e via marketplaces, que avançaram 14% e já representam 45% da receita da divisão, ante 40% no primeiro trimestre de 2025. As Soluções de Pagamento cresceram 2,5% para R$ 135 milhões, com a administração sinalizando um pipeline robusto para o segundo semestre.

Estoques de chips acendem alerta

A geração de caixa operacional foi um dos pontos mais positivos do balanço, atingindo R$ 91 milhões no trimestre — revertendo o consumo registrado no mesmo período de 2025. A alavancagem também melhorou, recuando de 2,5 vezes para 2,1 vezes a relação dívida líquida sobre Ebitda.

“Ebitda, margens e geração de caixa vieram melhores do que o esperado, enquanto a companhia segue executando seu reposicionamento em direção a infraestrutura, servidores e serviços gerenciados”, destacaram Guttmann e Chagas.

No entanto, a Positivo optou por aumentar seus estoques de chips de memória e servidores diante de restrições globais de oferta e em preparação para entregas previstas nos próximos trimestres. A decisão, embora estratégica, pressiona o capital de giro e deve continuar no radar dos investidores.

“O capital de giro segue como um ponto de atenção diante do aumento de estoques de chips de memória e servidores”, alertaram os analistas da XP.

Visão neutra

Para a XP Investimentos, o balanço do primeiro trimestre pode ser classificado como neutro. Os avanços operacionais — margens em expansão, queda na alavancagem e reversão da geração de caixa — são inegáveis, mas insuficientes para mudar o humor do mercado enquanto o lucro líquido permanecer negativo e o segmento público seguir sem dar sinais claros de recuperação.

“Vemos o trimestre como amplamente neutro. Por outro lado, Instituições Públicas seguem pressionadas, o lucro líquido permanece negativo e o ambiente continua desafiador diante de atrasos em compras públicas e custos mais elevados de componentes”, concluíram Bernardo Guttmann e Luis Chagas em relatório distribuído a clientes.

A administração da Positivo, por sua vez, reiterou que as taxas de vitória em licitações seguem saudáveis e manteve a expectativa de melhora sequencial ao longo do restante do ano.