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MBRF (MBRF3) estreia com lucro 27% maior no 1T26, mas Ebitda cai com sazonalidade da BRF

MBRF (MBRF3) estreia com lucro 27% maior no 1T26, mas Ebitda cai com sazonalidade da BRF

Empresa nascida da fusão entre Marfrig e BRF reporta lucro de R$ 111 milhões, com Beef América do Sul e Sadia Halal puxando o desempenho

A MBRF (MBRF3), companhia que reúne Marfrig e BRF após a fusão, reportou lucro líquido de R$ 111 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 26,8% em comparação ao mesmo período de 2025.

A receita líquida consolidada ficou em R$ 39,453 bilhões, praticamente estável (-0,1%), e o Ebitda ajustado recuou 3,2%, para R$ 3,096 bilhões, no primeiro balanço completo da empresa combinada.

A margem Ebitda ajustada consolidada foi de 7,8%, queda de 25 pontos-base contra o primeiro trimestre de 2025. Segundo a companhia, o desempenho reflete sobretudo a compressão do Ebitda da BRF, segmento responsável por 79% do Ebitda consolidado, em razão da sazonalidade típica do primeiro trimestre que não havia se manifestado um ano antes.

Balanço da MBRF

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Balanço da MBRF: Beef Sul puxa resultado

A operação de Beef na América do Sul foi o destaque positivo. A receita do segmento subiu 23,1% na comparação anual, para R$ 6,154 bilhões, com Ebitda ajustado de R$ 616 milhões, avanço de 34,9%. A margem Ebitda ajustada chegou a 10%, com expansão de 88 pontos-base. O volume vendido cresceu 8,8%, para 271 mil toneladas, suportado pela adição de capacidade ainda em ramp-up nos complexos industriais e por preços mais altos no mercado externo, apesar da valorização do real frente ao dólar.

“Nossa operação de Beef na América do Sul segue em patamar saudável de rentabilidade, apresentando crescimento de 8,8% no volume e 34,9% no Ebitda, quando comparados ao mesmo período do ano anterior. Os ganhos foram obtidos principalmente por avanços na produtividade, decorrentes de investimentos, aumento na ocupação dos nossos complexos e foco em produtos de valor agregado”, afirmou Miguel Gularte, CEO da MBRF.

A BRF, principal contribuinte do grupo, registrou receita de R$ 14,933 bilhões, queda de 3,2% na comparação anual, e Ebitda ajustado de R$ 2,477 bilhões, recuo de 10%, com margem de 16,6%. A retração foi explicada pela sazonalidade do primeiro trimestre, ausente no mesmo período de 2025, combinada à queda de 2,6% no volume vendido.

No mercado externo, a companhia conquistou 35 novas habilitações no trimestre, realizou os primeiros embarques à União Europeia via pré-listing e retomou as exportações de frango para a China a partir do Rio Grande do Sul.

A operação Sadia Halal, criada em maio com a HPDC (subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, PIF), alcançou rentabilidade recorde no trimestre. A margem Ebitda ajustada proforma chegou a 15,6%, contra 11% no mesmo período de 2025, com receita de US$ 596 milhões e Ebitda ajustado de US$ 93 milhões. O closing da transação ocorreu em 3 de maio, com avaliação dos ativos contribuídos em US$ 2,07 bilhões e múltiplo implícito de 9x EV/Ebitda.

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Norte ainda pressionada

A operação Beef América do Norte seguiu pressionada pelos custos elevados de aquisição de gado. A receita do segmento foi de US$ 3,491 bilhões, alta de 6,9% impulsionada pelo aumento de preços, mas o Ebitda ajustado ficou em apenas US$ 10 milhões, com margem de 0,3%.

O inverno rigoroso nos dois primeiros meses do ano reduziu o abate em 8,5% na comparação anual, segundo dados do USDA, enquanto o preço de referência do gado (USDA KS Steer) subiu 17,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

“Já se observam os primeiros sinais de recuperação, fazendo crer que a tendência seja de um ano de 2026 melhor que 2025”, disse Gularte ao comentar a operação norte-americana.

Alavancagem e sinergias

A dívida líquida consolidada encerrou o trimestre em R$ 43,967 bilhões, alta de 1,2% em relação ao quarto trimestre de 2025, com 51,7% atrelada a moedas estrangeiras. A alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado dos últimos 12 meses ficou em 3,37x em reais e 3,51x em dólares, acima dos 3,30x reportados no fechamento de 2025 e dos 2,69x do primeiro trimestre de 2025.

Na captura de sinergias da combinação, a MBRF informou ter alcançado R$ 126 milhões no trimestre, equivalente a cerca de 20% do previsto para 2026, e mais R$ 296 milhões via programa de eficiência MBRF+.

A MBRF3 fechou o pregão de terça-feira (13) cotada a R$ 16,93, com valor de mercado de R$ 23,7 bilhões. A teleconferência de resultados está marcada para esta sexta-feira (15), às 10h.