As ações da Oncoclínicas (ONCO3) subiam 9% na reação ao balanço do 2º trimestre de 2026, período em que a rede de tratamento de câncer registrou prejuízo líquido de R$ 476 milhões, ante perda de R$ 142 milhões um ano antes.
A receita líquida encolheu 29% em um ano, para R$ 1,050 bilhão, pressionada pela falta de medicamentos que começou em março e derrubou os volumes de tratamento. O lucro bruto caiu 48%, para R$ 229 milhões, e o Ebitda contábil ficou negativo em R$ 246 milhões, contra R$ 116 milhões positivos no mesmo período de 2025.
“A Oncoclínicas reportou mais um conjunto de resultados muito fraco no segundo trimestre, com as operações mostrando nova deterioração”, escreveram Samuel Alves e Maria Resende, analistas do BTG Pactual.
O número contábil embute R$ 72 milhões de baixa de glosas históricas, que são cobranças recusadas por planos de saúde, R$ 31 milhões de provisão para risco de crédito ligada à Unimed Leste Fluminense, R$ 78 milhões de perda no valor de um imóvel construído sob medida em Goiânia e R$ 76 milhões de multa pela rescisão de um contrato de aluguel.
“A dívida líquida, incluindo obrigações de aquisições, seguiu muito alta, em R$ 3,40 bilhões, enquanto a alavancagem subiu para cerca de 7,9 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses”, apontaram Alves e Resende.
O caixa deu algum alívio. O fluxo operacional voltou ao positivo, em R$ 158 milhões, contra saída de R$ 153 milhões no primeiro trimestre, ajudado pela renegociação de prazos com o maior fornecedor da companhia e pela suspensão do pagamento de juros aos credores financeiros, obtida por liminar em abril.
Reestruturação no centro do caso
“A companhia entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, o que reforça a gravidade de sua situação financeira atual”, registraram os analistas do BTG Pactual.
“A visibilidade segue limitada tanto sobre o ritmo da recuperação operacional quanto sobre o desfecho das negociações com os credores”, concluíram Alves e Resende.