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Cosan cai 2,4% na Bolsa após 2T26; bancos destacam avanço na desalavancagem

Cosan cai 2,4% na Bolsa após 2T26; bancos destacam avanço na desalavancagem

BTG, Safra e XP destacam redução do endividamento, recuperação da Moove e medidas de simplificação da holding; cobertura da dívida ainda é ponto de atenção

A Cosan (CSAN3) avançou em seu processo de desalavancagem no 2T26, apoiada principalmente pelos recursos obtidos com o IPO da Compass e pelas iniciativas de gestão do passivo. Embora a companhia tenha encerrado o trimestre com prejuízo líquido de R$ 320 milhões, a redução da dívida líquida, a recuperação da Moove e a perspectiva de melhora da cobertura do serviço da dívida até o fim de 2026 foram alguns dos principais pontos destacados por Safra, BTG Pactual e XP nas análises divulgadas após o balanço.

No mercado, as ações da Cosan operam em queda nesta segunda-feira (17). Às 10h25, os papéis CSAN3 recuavam 2,42%, cotados a R$ 3,23, após terem aberto a sessão a R$ 3,39. Na mínima do dia até aquele horário, as ações também chegaram a R$ 3,23.

Os números mostram um trimestre de avanços, mas ainda com desafios. O Ebitda ajustado sob gestão da Cosan alcançou R$ 3,988 bilhões no 2T26, queda de 4% na comparação anual, mas crescimento de 17% frente ao primeiro trimestre. O resultado ficou 3% abaixo da projeção do Safra. Já o prejuízo de R$ 320 milhões representou melhora significativa frente à perda de R$ 946 milhões registrada um ano antes e ao prejuízo de R$ 1,583 bilhão do 1T26.

Redução da dívida ganha protagonismo no 2T26

A redução do endividamento foi um dos principais pontos das avaliações dos bancos. Safra e XP calculam uma queda de aproximadamente R$ 2,2 bilhões na dívida líquida no trimestre, movimento explicado principalmente pelos cerca de R$ 2,3 bilhões recebidos pela Cosan com o IPO da Compass, concluído em maio.

As métricas utilizadas pelas instituições apresentam diferenças por causa dos critérios considerados no cálculo. O Safra aponta que a dívida líquida expandida recuou R$ 2,254 bilhões, para R$ 9,217 bilhões. A XP, ao incluir R$ 2,7 bilhões referentes ao valor de resgate das ações preferenciais, calcula dívida líquida corporativa de R$ 12 bilhões.

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O BTG, por sua vez, trabalha com uma visão pro forma e aponta dívida de aproximadamente R$ 12,2 bilhões, praticamente estável na comparação trimestral após ajustes. Para o banco, essa estabilidade traz uma leitura positiva porque mostra que os fluxos recebidos pela holding começam a se aproximar das despesas com juros e custos corporativos.

Cobertura da dívida ainda preocupa, mas Cosan prevê melhora

Apesar dos avanços na desalavancagem, a cobertura do serviço da dívida permanece como um dos principais desafios da Cosan. O indicador encerrou o 2T26 em apenas 0,2 vez, abaixo das 0,4 vez do trimestre anterior, pressionado pelo menor volume de dividendos recebidos nos últimos 12 meses e pelas despesas financeiras ainda elevadas.

A companhia, no entanto, divulgou uma projeção de cobertura entre 0,8 vez e 1,2 vez até o encerramento de 2026. Segundo o Safra, a melhora deverá ser sustentada pelo recebimento de dividendos das empresas do portfólio, pelos recursos relacionados à venda de parte das terras da Radar e pela redução das despesas financeiras após as iniciativas de gestão do passivo.

O BTG considera a meta factível. A instituição destaca que a Cosan recebeu R$ 434 milhões em dividendos no primeiro semestre e calcula que, considerando o ponto médio da projeção da companhia, aproximadamente R$ 1,1 bilhão adicional deverá entrar no caixa no segundo semestre. Parte desse montante já conta com R$ 586 milhões previstos a partir da venda anunciada de terras da Radar.

Moove surpreende enquanto Radar pesa nos resultados

Entre as investidas, a Moove foi um dos destaques positivos do 2T26. A companhia registrou Ebitda de R$ 475 milhões, alta de 101% sobre o trimestre anterior, embora 6% abaixo do mesmo período de 2025. O resultado superou em 46% a estimativa do Safra, de R$ 326 milhões.

O BTG chamou atenção para a margem Ebitda de 17%, acima da média histórica de aproximadamente 12% observada nos três anos anteriores ao incêndio na planta do Rio de Janeiro. Para o banco, o desempenho reforça a percepção de que a operação está retomando a normalidade. Os volumes vendidos pela Moove avançaram 6% em relação ao ano anterior.

Na direção oposta, a Radar registrou Ebitda negativo de R$ 29 milhões, ante resultado positivo de R$ 134 milhões no 2T25. O desempenho foi afetado pela reavaliação de propriedades agrícolas relacionadas à venda anunciada de ativos e pela redução das receitas de arrendamento. Ao fim do trimestre, o portfólio de terras da Radar estava avaliado em R$ 18,1 bilhões, dos quais R$ 5,6 bilhões correspondiam à participação consolidada da Cosan.

Rumo e Compass apresentam desempenho mais estável

A Rumo registrou Ebitda ajustado de aproximadamente R$ 2,27 bilhões no 2T26, praticamente em linha com as projeções dos analistas. Segundo a XP, a receita avançou 6% na comparação anual, apoiada pelo crescimento de 9% dos volumes, embora o ambiente de preços tenha permanecido desafiador.

A Compass também apresentou crescimento operacional. Pelos números considerados pelo Safra, o Ebitda alcançou R$ 1,275 bilhão, avanço de 5% na comparação anual, mas 9% abaixo da estimativa do banco. A XP avaliou o desempenho da empresa como alinhado às suas projeções, destacando despesas operacionais controladas, apesar de resultados mais fracos em algumas frentes.

A combinação dos desempenhos das investidas ajuda a explicar a avaliação de que o 2T26 trouxe sinais positivos para a Cosan, ainda que a companhia continue diante do desafio de transformar esses resultados em maior geração de caixa para a holding e redução estrutural do endividamento.

Simplificação da estrutura entra no radar dos bancos

Além dos números financeiros, as mudanças na estrutura corporativa também receberam atenção. A Cosan anunciou a saída de Rafael Bergman dos cargos de CFO e diretor de Relações com Investidores e de Maria Rita Drummond da vice-presidência jurídica. José Cezário, ex-CFO da Rumo, assumirá como CFO e diretor de RI a partir de 1º de setembro.

A companhia também propôs uma reorganização da Radar, com cisão integral e posterior dissolução da empresa, além de anunciar a intenção de retirar voluntariamente seus ADSs da Bolsa de Nova York (NYSE). Para o Safra, as iniciativas devem simplificar a estrutura corporativa e reduzir despesas.

O BTG também vê os movimentos de simplificação de forma positiva e reiterou recomendação de compra para CSAN3, com preço-alvo de R$ 8. O Safra mantém classificação Outperform, com preço-alvo de R$ 9. Na visão do BTG, o ponto central da tese permanece sendo a desalavancagem: quanto mais evidente for a capacidade da Cosan de reduzir o custo da dívida e equilibrar despesas da holding com os dividendos recebidos das investidas, maior tende a ser a percepção de melhora da estrutura financeira pelo mercado.