Home
Notícias
Ações
BTG vê espaço para novas aquisições do Grupo GPS em meio a cenário mais difícil

BTG vê espaço para novas aquisições do Grupo GPS em meio a cenário mais difícil

A combinação de empresas-alvo potencialmente mais baratas e uma estrutura de capital mais confortável pode abrir espaço para uma nova rodada de crescimento por meio de M&A

O Grupo GPS (GGPS3) pode encontrar um ambiente mais favorável para ampliar sua estratégia de aquisições diante da piora das condições macroeconômicas brasileiras. Essa é uma das principais conclusões do BTG Pactual (BPAC11) em relatório divulgado após os resultados do segundo trimestre da companhia. Para o banco, a combinação de empresas-alvo potencialmente mais baratas e uma estrutura de capital mais confortável pode abrir espaço para uma nova rodada de crescimento por meio de M&A.

O BTG destaca a redução da alavancagem do Grupo GPS para 1,3 vez a dívida líquida sobre o Ebitda. A geração de caixa no segundo trimestre foi considerada positiva e ocorreu em ritmo mais rápido do que o esperado pelo banco, fortalecendo a capacidade financeira da companhia para voltar a realizar aquisições.

A avaliação ganha relevância porque o mercado vinha mais cético em relação à tese de crescimento da GPS. O segundo trimestre trouxe, segundo o BTG, uma dose moderada de otimismo, principalmente porque os resultados ficaram próximos das projeções do banco e acima de algumas expectativas mais pessimistas.

Pontos de atenção

O desempenho operacional, porém, ainda apresenta pontos de atenção. A receita orgânica cresceu 6% na comparação anual, ligeiramente abaixo da estimativa do BTG e das expectativas do mercado, próximas de 7%. Parte da pressão veio de contratos de empresas adquiridas em 2024 que ainda passam por ajustes.

Entre essas operações, a renegociação dos contratos da GRSA aparece como um dos principais fatores de impacto. A companhia tem trabalhado para recuperar as margens desses contratos, que ficaram abaixo dos níveis considerados adequados. Segundo o BTG, esse movimento ajuda a explicar parte da pressão sobre o crescimento orgânico observado no trimestre.

Publicidade
Publicidade

O cenário econômico também tem pesado sobre a expansão. De acordo com o relatório, a incerteza relacionada às eleições e à reforma tributária levou alguns clientes a postergar pedidos, contribuindo para limitar o crescimento orgânico da GPS.

É justamente na rentabilidade que o BTG identifica sinais mais positivos para o segundo semestre. Durante a apresentação dos resultados, a administração detalhou iniciativas para compensar os fatores que atualmente pressionam as margens, principalmente os negócios de alimentação, operações offshore e manutenção.

Na avaliação do banco, essas medidas devem contribuir para uma melhora das margens na segunda metade do ano. A visão para 2027, entretanto, permanece mais cautelosa. O BTG aponta que a reforma tributária e a composição do portfólio de contratos continuarão representando desafios para a rentabilidade da companhia.

Outro fator que deve beneficiar os resultados futuros é a reversão de uma provisão relacionada ao Sistema S. Segundo o relatório, o movimento deve contribuir para uma composição de lucro mais limpa daqui para frente.

Apesar dos sinais de melhora, o BTG ressalta que a GPS ainda é uma companhia que precisa entregar resultados para reconquistar plenamente a confiança dos investidores. O banco classifica a tese como uma história que ainda precisa mostrar, na prática, a capacidade de recuperar margens e voltar a acelerar o crescimento.

Nesse contexto, a estratégia de aquisições pode voltar a ganhar protagonismo. A leitura do BTG é que o cenário macroeconômico mais difícil pode, paradoxalmente, aumentar as oportunidades para a GPS, à medida que potenciais empresas-alvo enfrentam maior pressão financeira e podem se tornar mais acessíveis em eventuais negociações.

A combinação entre menor alavancagem, geração de caixa e um possível aumento do universo de alvos de aquisição coloca a companhia em uma posição mais confortável para buscar novas oportunidades. Para o BTG, portanto, o segundo trimestre não representa uma virada completa na história da GPS, mas mostra sinais de que a segunda metade de 2026 pode ser melhor do que a primeira.

O ponto central do relatório é justamente esse: depois de um período marcado por crescimento mais fraco e pressão sobre as margens, a GPS começa o segundo semestre com uma estrutura financeira mais preparada para voltar ao mercado de aquisições, enquanto trabalha para recuperar a rentabilidade dos negócios incorporados nos últimos anos.