A Oncoclínicas (ONCO3) perdeu R$ 475,7 milhões no 2º trimestre de 2026, mais que o triplo do prejuízo de R$ 142,3 milhões apurado um ano antes. A receita bruta encolheu 25,9% e ficou em R$ 1,228 bilhão.
A origem do tombo está na farmácia.
O desabastecimento de medicamentos começou em março, provocado pelo aperto de caixa da companhia, e reduziu o número de procedimentos a cerca de 114 mil no trimestre, contra 169,1 mil um ano antes. O ticket médio seguiu na direção oposta e subiu 9,5%, para R$ 10.438.
“O fornecimento de medicamentos foi parcialmente normalizado durante o trimestre”, escreveu a administração da Oncoclínicas no relatório de resultados.

Ebitda no vermelho
A conta do período veio carregada de efeitos extraordinários. Entraram no resultado um impairment de R$ 78 milhões referente ao BTS de Goiânia, uma multa de R$ 76 milhões pela rescisão do aluguel do Centro Paulista de Oncologia, na Avenida Angélica, e uma provisão de R$ 30,5 milhões ligada à Unimed Leste Fluminense.
A PCLD consumiu outros R$ 109,9 milhões, ou 9% da receita bruta, puxada pela baixa de glosas de anos anteriores, de aproximadamente R$ 72 milhões. Com tudo isso na conta, o Ebitda contábil terminou negativo em R$ 245,6 milhões.
O Ebitda ajustado, que exclui os não recorrentes e os hospitais em processo de venda, ficou positivo em R$ 34,3 milhões, com margem de 3,3%, contra 15,7% no 2º trimestre de 2025. Frente ao 1º trimestre de 2026, quando o indicador foi negativo em R$ 49,2 milhões, a melhora chega a R$ 83,5 milhões. Normalizada a PCLD, a margem teria sido de 9,5%.
Dívida de R$ 3,4 bilhões toda no curto prazo
O corte de custos aparece nos números, mas não compensa a perda de escala. O custo caixa dos serviços prestados recuou 20,1%, para R$ 815,3 milhões, e ainda assim subiu de 61,6% para 66,4% da receita bruta. As despesas operacionais caixa somaram R$ 336,5 milhões, ou 27,4% da receita.
A dívida líquida financeira somada às aquisições a pagar terminou junho em R$ 3,404 bilhões, cerca de 7,9 vezes o Ebitda ajustado dos últimos doze meses (aprox.). Os R$ 3,386 bilhões de dívida financeira estão integralmente classificados no circulante. Em 13 de abril, a companhia protocolou medida cautelar e abriu mediação com os credores, o que suspendeu o pagamento de juros.
“O negócio da Oncoclínicas é sustentável e vem passando pelos ajustes necessários”, registrou a administração no documento.






