As ações da CPFL Energia (CPFE3) recuavam 5,02% na manhã desta sexta-feira (14), cotadas a R$ 41,06 por volta das 11h40. Entre os pontos negativos do balanço do segundo trimestre de 2026 estão o resultado abaixo do esperado na geração de energia, o aumento da inadimplência e o avanço dos custos operacionais.
O BTG Pactual (BPAC11) considerou os números consolidados da companhia em linha com as expectativas, uma vez que o desempenho mais forte da distribuição compensou a fraqueza da geração. O banco manteve recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 46,30.
O lucro líquido da CPFL alcançou R$ 1,37 bilhão, crescimento de 21,5% na comparação com o segundo trimestre de 2025 e resultado 43,5% superior à estimativa de R$ 952 milhões do banco. Desconsiderados efeitos sem impacto no caixa e itens não recorrentes, porém, o lucro ficou próximo de R$ 1 bilhão.
A receita líquida aumentou 5,3%, para R$ 11,11 bilhões. Já o Ebitda ajustado avançou 7,2%, para R$ 2,96 bilhões, praticamente em linha com os R$ 2,95 bilhões projetados pelo BTG. A margem Ebitda ajustada passou de 26,2% para 26,7%.
“A CPFL apresentou números em linha no segundo trimestre. O Ebitda ajustado avançou 7% na comparação anual, uma vez que os resultados de distribuição, acima do esperado, foram compensados por uma surpresa negativa na operação de geração”, avaliou o BTG.
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Geração fica 10% abaixo da estimativa
O segmento de geração apresentou Ebitda ajustado de R$ 673 milhões, queda de 9% na comparação anual e resultado 10% inferior à estimativa de R$ 745 milhões do BTG.
A geração eólica recuou 22%, prejudicada pela menor intensidade dos ventos e pelas restrições impostas pelo operador do sistema elétrico, conhecidas como curtailment. Esses cortes atingiram 25% da produção potencial no trimestre, mesmo patamar registrado um ano antes.
Segundo o banco, as restrições provocaram uma perda de receita de R$ 54 milhões no segundo trimestre. No acumulado do primeiro semestre, o impacto chegou a R$ 116 milhões.
A transmissão também ficou abaixo das projeções. O Ebitda regulatório somou R$ 243 milhões, ante os R$ 279 milhões esperados. Em sentido contrário, a área de serviços e outros negócios apresentou Ebitda de R$ 88 milhões, superando a estimativa de R$ 50 milhões.
“Outro trimestre foi marcado por ventos fracos e cortes na geração. A produção eólica caiu 22%, enquanto as restrições chegaram a 25% e, isoladamente, retiraram R$ 54 milhões da receita da companhia no período”, destacou o BTG.
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Distribuição cresce, mas inadimplência piora
Na distribuição, o Ebitda ajustado cresceu 13%, para R$ 1,96 bilhão, ficando 5% acima da projeção do banco. O volume de energia distribuída avançou 4%, o dobro dos 2% esperados, favorecido pelas temperaturas mais elevadas e pelo aumento do consumo de data centers.
A melhora operacional, entretanto, veio acompanhada de sinais de pressão sobre custos e qualidade dos recebíveis. A inadimplência subiu para 1,08%, ante 1,03% no primeiro trimestre e 0,82% um ano antes.
As despesas operacionais ajustadas, excluídas as perdas com clientes inadimplentes, aumentaram 8,4%. O avanço ficou acima da inflação acumulada de 4,64% e refletiu maiores gastos com pessoal, materiais e serviços.
A dívida líquida representava 2,36 vezes o Ebitda ao final do trimestre, ligeiramente acima das 2,31 vezes registradas em março. Apesar do resultado consolidado em linha e da expectativa de retorno total de 14,8% considerada no relatório — somando valorização e dividendos —, o BTG manteve a recomendação neutra para a CPFL.






