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Nike bate consenso no quarto trimestre fiscal, mas ações caem com Converse em colapso

Nike bate consenso no quarto trimestre fiscal, mas ações caem com Converse em colapso

Lucro por ação de US$ 0,72 bateu estimativas, mas US$ 0,52 do resultado vieram de efeito tarifário não recorrente; ação cai 36% no ano

A Nike (NKE; NIKE34) divulgou nesta terça-feira (30) os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026 acima do consenso, mas as ações recuam mais de 2% no after hours em Nova York.

A receita do período encerrado em maio somou US$ 11 bilhões, queda de 1% em base reportada e de 4% em câmbio neutro ante o mesmo quarto trimestre do ano anterior.

O lucro por ação diluído ficou em US$ 0,72, bem acima das estimativas, mas US$ 0,52 do total refletiram o reembolso esperado de tarifas cobradas sob o International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), após decisão favorável da Suprema Corte americana em fevereiro. Sem o efeito, o ganho operacional por ação teria ficado em torno de US$ 0,20.

A margem bruta subiu 890 pontos-base, para 49,2%, mas o mesmo efeito tarifário respondeu por 900 pontos-base da expansão. A margem subjacente, portanto, não avançou na comparação com o quarto trimestre de 2025.

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Converse e China seguem como os pontos cegos

Entre os segmentos, a Converse voltou a decepcionar. A receita da subsidiária caiu 32% em base reportada e 34% em câmbio neutro, para US$ 244 milhões, com recuos em todos os territórios. No ano fiscal completo, as receitas da marca somaram US$ 1,2 bilhão, queda de 31%.

A China também pressionou o resultado. A região registrou receita de US$ 1,3 bilhão no trimestre, queda de 12% em base reportada, ainda que dentro das projeções da gestão. O canal direto ao consumidor (Nike Direct) recuou 7%, com queda de 12% no digital e de 7% nas lojas próprias.

O atacado seguiu na direção oposta, avançando 4% para US$ 6,6 bilhões, sustentado pelo crescimento de 3% na América do Norte.

No ano fiscal encerrado em maio, a receita total somou US$ 46,4 bilhões, estável em base reportada e com queda de 2% em câmbio neutro. O lucro líquido anual ficou em US$ 3,1 bilhões, recuo de 3%, com lucro por ação de US$ 2,10.

Gestão cautelosa e troca de CFO pesam no after hours

O CEO Elliott Hill, que comanda a companhia há quase dois anos, adotou tom moderado no comunicado.

“Embora continuemos a enfrentar ventos contrários nas receitas, estamos encorajados com o avanço dos produtos de performance e focados em execução consistente e melhora de rentabilidade”, disse o executivo.

Matt Friend, diretor financeiro que deixará o cargo, reconheceu que o ambiente operacional segue desafiador e que a estratégia de vender produtos a preço cheio ainda enfrenta resistência nos canais.

A estratégia de Hill tem sido reposicionar a Nike com foco em esportes específicos, como corrida e basquete. A empresa teve avanços nessa frente, mas também enfrentou tropeços ao longo do período. Uma campanha ligada à Maratona de Boston precisou ser retirada após críticas, e a empresa registrou atrasos na entrega de parte do estoque da Copa do Mundo para varejistas.

No início do mês, a Nike anunciou que David Denton, atual CFO da Pfizer, assumirá a função financeira em agosto em substituição a Friend, que permanece na companhia até 4 de setembro. No ano, os papéis acumulam queda de 36%. A companhia deve realizar ainda em 2026 um encontro com investidores no Oregon para detalhar sua estratégia de longo prazo.

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