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Mercado Livre no 2T26: crescimento forte já não basta para o mercado

Mercado Livre no 2T26: crescimento forte já não basta para o mercado

BTG prevê alta de 42% no volume de vendas, mas investidores aguardam sinais de recuperação das margens

O Mercado Livre (MELI; MELI34) deve apresentar mais um trimestre de forte expansão no segundo trimestre de 2026. O crescimento das vendas, entretanto, deixou de ser a principal dúvida dos investidores, que agora buscam sinais de que o ciclo de investimentos começará a produzir ganhos de rentabilidade.

O BTG Pactual (BPAC11) estima que o volume bruto de mercadorias negociadas pela plataforma, conhecido pela sigla GMV, avance 42% em dólares na comparação anual. No Brasil, a projeção é de crescimento de 38% em reais.

Em relatório, os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon afirmam que o Mercado Livre deve reafirmar sua liderança no comércio eletrônico da América Latina. Para eles, porém, o mercado passou a olhar além das vendas.

“O debate principal já não é se a companhia cresce acima do mercado, mas quando os investimentos começarão a gerar maior alavancagem operacional”, afirmam.

O BTG mantém recomendação de compra para as ações negociadas nos Estados Unidos, com preço-alvo de US$ 2.400. O valor representa potencial de valorização de 31,9% sobre a cotação considerada no relatório.

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Investimentos devem pressionar margem do Mercado Livre

Apesar do crescimento esperado, o BTG projeta margem EBIT de 7,5% no segundo trimestre, aproximadamente 4,6 pontos percentuais abaixo do registrado um ano antes.

Na avaliação dos analistas, a redução reflete a estratégia agressiva de investimentos. A pressão sobre a rentabilidade seria uma consequência da decisão de ampliar a estrutura e proteger a posição competitiva do negócio.

“A administração deixou cada vez mais claro que defender a liderança de longo prazo é prioridade maior do que maximizar as margens no curto prazo”, destaca o BTG.

Segundo o relatório, o Brasil deve receber R$ 57 bilhões em investimentos do Mercado Livre em 2026, alta de 50% frente ao ano anterior. Os recursos serão direcionados principalmente à logística, tecnologia, ao desenvolvimento do marketplace e ao Mercado Pago.

A companhia também planeja inaugurar 14 centros de distribuição no país, elevando a estrutura brasileira para 42 unidades.

Para o BTG, a questão não é apenas o impacto desses gastos sobre a margem do 2T26, mas se os investimentos estão próximos de alcançar uma escala capaz de gerar eficiência nos próximos trimestres.

Mercado Pago cresce com melhora da inadimplência

A expansão do crédito no Mercado Pago deve ser outro ponto relevante do balanço. Segundo o BTG, a fintech continua priorizando o crescimento da carteira, principalmente por meio de cartões e empréstimos ao consumidor.

Os analistas explicam que essa estratégia pressiona o resultado no curto prazo porque exige a constituição antecipada de provisões para possíveis perdas.

Ainda assim, os dados mais recentes apontam melhora da qualidade do crédito. A análise do BTG considera os três principais Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) usados pelo Mercado Livre no Brasil.

Em junho, esses fundos reuniam uma carteira de R$ 8,1 bilhões, crescimento de 2,4% em um mês e de 23,7% em 12 meses. O montante representa aproximadamente 25% da carteira brasileira de crédito do Mercado Pago.

A inadimplência entre um e 90 dias recuou 1,26 ponto percentual no mês, para 9,5%. Os atrasos superiores a 90 dias diminuíram 0,26 ponto percentual, para 11,2%.

Na leitura do BTG, os investidores acompanharão se o Mercado Pago conseguirá preservar essa combinação de crescimento acelerado e estabilidade dos indicadores de crédito.

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Concorrência aumenta pressão por eficiência

O avanço dos concorrentes também ajuda a explicar o nível elevado de investimentos. O BTG destaca que a Amazon vem ampliando sua capacidade logística, as entregas no mesmo dia e os serviços ligados ao Amazon Prime no Brasil.

A Shopee, por sua vez, expande tanto a estrutura logística quanto as operações financeiras. Segundo o relatório, os saldos dos FIDCs brasileiros da plataforma cresceram em ritmo superior ao do Mercado Livre no último ano.

Para os analistas, a disputa deixou de estar limitada ao comércio eletrônico e passou a envolver também crédito, pagamentos e logística.

“Os níveis elevados de investimento parecem menos discricionários e mais uma resposta necessária para preservar as vantagens competitivas”, avalia o banco.

Embora espere um resultado operacional robusto, o BTG considera que a principal informação do balanço poderá aparecer nas sinalizações da administração sobre a próxima fase desse ciclo.

O mercado reconhece o Mercado Livre como uma das empresas de comércio eletrônico de maior qualidade no cenário global, segundo os analistas, mas procura mais visibilidade sobre a recuperação das margens.

Para o BTG, a passagem de um período de “crescimento a qualquer custo” para uma fase de “crescimento com alavancagem operacional” continuará no centro das discussões durante o 2T26 e ao longo de 2027.