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Marcopolo tem produção impulsionada por micro-ônibus, mas mix mais fraco preocupa

Marcopolo tem produção impulsionada por micro-ônibus, mas mix mais fraco preocupa

O Banco Safra avalia que o desempenho operacional teve uma leitura mista, já que a piora no mix de produtos pode pressionar as margens da fabricante

A Marcopolo (POMO4) registrou forte crescimento na produção de ônibus no segundo trimestre de 2026, impulsionado principalmente pelas entregas de micro-ônibus para programas do governo federal. No entanto, o Banco Safra avalia que o desempenho operacional teve uma leitura mista, já que a piora no mix de produtos pode pressionar as margens da fabricante nos próximos resultados.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus), a produção da Marcopolo, considerando Neobus e Volare, alcançou 1.266 unidades em junho, alta de 26% na comparação anual e de 5% em relação a maio. No segundo trimestre, a produção totalizou 3.687 unidades, avanço de 13% sobre o mesmo período de 2025 e de 37% frente ao primeiro trimestre.

O principal destaque ficou com os micro-ônibus, cuja produção disparou 153% em junho e 120% no segundo trimestre na comparação anual. O desempenho foi sustentado, principalmente, pelas entregas ao Ministério da Saúde e ao programa Caminho da Escola. A produção da Volare também apresentou crescimento, com alta de 23% em junho e de 7% no acumulado do trimestre.

Segmentos de maior valor recuam

Por outro lado, os segmentos de maior valor agregado continuaram apresentando retração. A produção de ônibus rodoviários caiu 23% em junho e 30,5% no segundo trimestre na comparação anual, enquanto a de ônibus urbanos recuou 35% e 34%, respectivamente.

As exportações também permaneceram pressionadas. Em junho, os embarques da companhia somaram 122 unidades, queda de 32% em relação ao mesmo mês do ano passado. No segundo trimestre, as exportações recuaram 29,5% na comparação anual.

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Na avaliação do Safra, embora o avanço dos volumes tenha compensado parcialmente a fraqueza dos demais segmentos, a mudança no mix de vendas é um fator de atenção. A participação das exportações caiu para 10% da produção no segundo trimestre, ante 16% um ano antes, enquanto os ônibus rodoviários passaram de 34% para 21% do mix.

Para o banco, essa composição menos favorável pode resultar em margens operacionais mais fracas, uma vez que tanto os veículos destinados ao mercado externo quanto os ônibus rodoviários costumam apresentar maior rentabilidade para a Marcopolo.

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