A Oncoclínicas (ONCO3) corre para resolver sua crise fora dos tribunais. Em conversa com o Safra durante o J. Safra Healthcare and Education Days, nos dias 25 e 26 de junho, o CFO Isaac Quintino e a executiva de relações com investidores Rafaela Moura relataram que a companhia está em standstill — período em que os pagamentos aos credores ficam congelados — enquanto negocia uma reorganização a ser homologada em juízo.
O pedido de recuperação judicial, disseram, é o desfecho que a empresa quer evitar.
O diagnóstico da própria companhia sobre como chegou até aqui é direto. A empresa atribuiu a situação “principalmente a um período de crescimento acelerado, financiado por dinheiro relativamente barato, que levou a companhia a investir em negócios fora de sua atividade principal“, registrou o relatório do Safra.
Esses ativos comprados na expansão viraram o ralo do caixa.
Segundo o banco, “a operação central de oncologia continua gerando caixa, mas ele é consumido quase integralmente pelos ativos não essenciais” — daí a decisão de vender os hospitais no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, além de parte do portfólio de diagnósticos.
Remédios em dia e conselho mais ativo
No dia a dia das clínicas, o pior parece ter passado.
Depois da ruptura no fornecimento de medicamentos em abril, a gestão afirmou que as operações “estão normalizadas desde maio”, sustentadas por uma linha de antecipação de recebíveis com a Lumina que banca parte das compras mensais de remédios.
A governança também mudou de figura. Os executivos citaram um conselho de administração mais atuante desde o aumento de capital e a conversão de dívida do fim do ano passado — operação que diluiu a fatia do Goldman Sachs — e uma equipe de gestão renovada, hoje comandada por CEO e CFO interinos.
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