A XP Inc. (XP; XPBR31) divulgou nesta segunda-feira (18) seus resultados do primeiro trimestre de 2026, reportando lucro líquido ajustado de R$ 1,318 bilhão, alta de 7% em relação ao R$ 1,236 bilhão registrado no mesmo período de 2025 e praticamente estável frente ao R$ 1,331 bilhão do quarto trimestre do ano passado.
O Bank of America projetava lucro líquido de R$ 1,4 bilhão, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 4% na comparação trimestral.
A receita bruta totalizou R$ 4,9 bilhões, crescimento de 8% na comparação anual, mas recuo de 7% na comparação trimestral, refletindo o ambiente macroeconômico desafiador e a migração dos clientes para produtos de menor taxa de retorno para a companhia.
Renda variável e wholesale se destacam
Os destaques positivos do trimestre vieram de duas frentes. Na divisão de varejo, as receitas de renda variável saltaram 22% em relação ao 1T25, chegando a R$ 1,167 bilhão, impulsionadas pelo maior volume médio diário de negociação em ações e futuros — os DATs de varejo somaram 2,7 milhões no trimestre, alta de 23% na comparação anual e 21% na sequencial.
No wholesale, a divisão cresceu 26% em relação ao mesmo período de 2025, para R$ 1,146 bilhão, com o segmento corporate disparando 78% na base anual para R$ 498 milhões, beneficiado pela maior demanda dos clientes por derivativos, câmbio e soluções de trading em um ambiente de alta volatilidade.
Captação recua e take rate cede 7 bps
No lado negativo, a captação líquida total recuou de forma expressiva: foram R$ 14 bilhões no 1T26, queda de 39% frente ao 1T25 e 55% abaixo dos R$ 32 bilhões captados no 4T25. A captação líquida de varejo foi de R$ 19 bilhões.
O Bof esperava que a captação líquida do varejo recuasse na comparação com o quarto trimestre de 2025 e ficou abaixo da estimativa de R$ 21 bilhões do BofA.
O total de ativos sob custódia dos clientes atingiu R$ 1,529 trilhão, alta de 15% na comparação anual e 3% na sequencial, beneficiado em parte pela valorização de mercado. A taxa de retorno anualizada do varejo (take rate) recuou 7 pontos-base tanto em relação ao 1T25 quanto ao 4T25, chegando a 1,18%, reflexo da concentração dos clientes em produtos de renda fixa e liquidez diária com menor margem para a companhia.
Margem EBT no piso e capital acima do alvo
A margem EBT ficou em 30% no trimestre, apenas 5 pontos-base acima do 1T25 e 273 pontos-base abaixo do 4T25, situando-se exatamente no piso do intervalo de guidance de médio prazo de 30% a 34%.
O retorno sobre patrimônio tangível (ROTE) foi de 26,2%, queda de 391 pontos-base na comparação anual, e o ROAE recuou para 21,7%. A base de clientes ativos cresceu 2% em relação ao ano anterior, para 4,79 milhões.
No campo do capital, o índice BIS atingiu 20,7%, acima da faixa-alvo de 16% a 19%, e a companhia anunciou um novo programa de recompra de ações de R$ 1 bilhão e distribuição de dividendos de R$ 500 milhões com pagamento previsto para 18 de junho, como parte da estratégia de retorno de capital aos acionistas.
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