O balanço do Bradesco (BBDC4) no 4TRI22 veio anormalmente fraco. Esta é a avaliação do BTG Pactual (BPAC11). O lucro líquido foi R$ 1,6 bilhão, quase 60% abaixo das estimativas do banco de investimentos. A recomendação é neutra, com preço-alvo em R$ 18.
O EBT (lucro antes dos impostos) foi negativo em R$ 70 milhões, fortemente impactado por uma provisão de R$ 4,9 bilhões (antes dos impostos) relacionada à Americanas (AMER3). Segundo o relatório do BTG, esta foi 100% contabilizada neste trimestre, fluindo totalmente pela DRE). Mas é mais do que apenas a Americanas.
Porém, o BTG enxergou problemas além da Americanas (AMER3). Mesmo se fosse excluída a varejista, o que se poderia argumentar ser um evento único, o EBT ainda estaria 20% abaixo das estimativas do banco de investimentos e cairia aproximadamente 30%, na comparação entre o trimestre anterior, e 50% frente o 4TRI21.
“Então, o fraco desempenho vai muito além desses fatores pecífico. De acordo com nossas estimativas, o guidance para 2023 sugere um lucro líquido de ~R$ 20 bilhões (ROE de 12,7%, sendo 10% e ~20% abaixo de nossas estimativas e do consenso, respectivamente) se usarmos uma alíquota de ~18% (bem abaixo dos 24% em 2022)”, avaliou o relatório BTG.
Pelo relatório, se for considerada uma alíquota mais normalizada de 30%, o lucro seria de aproximadamente R$ 17 bilhões (com ROE de 11%). O momento operacional do Bradesco, que o banco de investimentos acredita estar melhor refletido em seu EBT, deve ficar, neste ano, 40% abaixo dos níveis de 2021 (um ano mais normalizado).
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“Portanto, se o EBT estava apenas 10-15% abaixo de seus principais pares em 2021, é provável que esteja 50% menor, na melhor das hipóteses, em 2023. Os resultados se deterioraram muito, e recuperá-los provavelmente levará tempo”, avaliou.
Balanço do Bradesco (BBDC4) no 4TRI22 revela provisionamento total de Americanas (AMER3)
De acordo com o relatório, as provisões brutas cresceram 80% no trimestre e 205% no ano para R$ 15,4 bilhões (56,5% acima das estimativas BTG), refletindo principalmente um maior custo do crédito no segmento de varejo e provisões relacionadas a Americanas (AMER3). O pedido de recuperação judicial indicava que o Bradesco tinha uma exposição de R$ 4,8 bilhões, exatamente o valor provisionado no trimestre (70% referente a rebaixamentos de rating e os 30% restantes referentes à constituição de provisões adicionais).
“Em nosso modelo, estávamos considerando que o Bradesco contabilizaria ~30% de provisões adicionais relacionadas a varejista no 4TRI22 (R$ 1.455 milhões). Mas mesmo se excluíssemos esse efeito, as provisões brutas ainda teriam ficado 26% acima de nossas estimativas, em R$ 10,6 bilhões (+23% t/t e +109% a/a), impactadas pela deterioração no segmento de varejo”, diz parte do relatório BTG.
Tendência de NPL em alta
O relatório revelou ainda que, olhando para a qualidade dos ativos, os NPLs (sigla para non-performing loan, ou em uma tradução livre crédito não produtivo) continuaram subindo. Os NPLs acima de 90 dias (excluindo os efeitos das vendas de portfólio) aumentaram 50bps t/t para 4,9%, impactados principalmente pelos segmentos de pequenas e médias empresas – PME (+80 pb) e pessoa física (+40 pb).
Enquanto isso, o BTG indica que a formação de NPL como percentual da carteira aumentou 10bps para 1,2%, indicando que os NPLs provavelmente não se estabilizarão no próximo trimestre.
“De fato, os NPLs em estágio inicial aumentaram 0,5%, para 4,1%. Ainda assim, com as provisões relacionadas à Americanas, o índice de cobertura aumentou 3p.p para 204%. Quando a exposição a AMER se tornar oficialmente um empréstimo inadimplente, o índice de cobertura deve cair”, avaliou o BTG.
Confira o balanço do Bradesco (BBDC4) no 4TRI22
O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 1,595 bilhão, resultado que é 75,9% menor do que o obtido no mesmo período do ano anterior, quando havia sido de R$ 6,613 bilhões.
Sem citar diretamente a Americanas (AMER3), o banco reportou que “recentes eventos envolvendo um cliente Large Corporate específico”, ocorridos no começo do ano, a administração do banco reavaliou os riscos envolvidos e provisionou 100% da operação, o que acabou por afetar o lucro trimestral do banco.
No acumulado do ano, o lucro líquido recorrente do banco foi de R$ 20,680 bilhões contra R$ 26,215 bilhões no ano anterior, representando uma redução de 21,1%. A carteira de crédito cresceu 9,8% em 12 meses e 1,5% no trimestre, com destaque para as pessoas físicas, especialmente em operações com cartões de crédito.
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