O banco Safra revisou suas estimativas e preços-alvo para as ações de empresas de varejo discricionário sob cobertura, incorporando resultados recentes, novas premissas macroeconômicas e aumento no custo de capital.
Apesar da deterioração do cenário, a casa avalia que o desempenho mais fraco recente do setor abre oportunidades em ações com fundamentos mais sólidos e múltiplos atrativos.
A revisão reflete um ambiente de maior incerteza no Brasil, especialmente com a perspectiva de juros mais altos por mais tempo e impacto negativo sobre o consumo. O banco destaca preocupação com a perda de poder de compra das famílias e desaceleração da atividade nos próximos trimestres.
“Seguimos atentos aos riscos associados ao aperto monetário, que pode reduzir o poder de compra e desacelerar a economia”, afirmam os analistas Vitor Pini, Renan Sartorio e Tales Granello.
Nesse contexto, o custo de capital mais elevado pressionou avaliações e levou a ajustes nos preços-alvo de diversas companhias do segmento.
Preferência por empresas de qualidade
Mesmo com o cenário mais difícil, o Safra mantém recomendação outperform para nomes como Smart Fit (SMFT3), Track & Field (TFCO4), C&A (CEAB3), Lojas Renner (LREN3), Grupo SBF (SBFG3) e Riachuelo (RIAA3).
“Após o desempenho recente mais fraco, vemos oportunidades atrativas em empresas com forte execução operacional e balanços saudáveis”, destacam os analistas.
Entre os destaques, Smart Fit e Track & Field seguem bem posicionadas para capturar tendências de crescimento ligadas ao segmento fitness, com expansão acelerada e modelos de negócio resilientes.

Varejo de moda com sinais positivos
O banco também adota visão mais construtiva para o varejo de vestuário, apoiado em fatores sazonais recentes. Temperaturas mais baixas devem favorecer o desempenho das coleções de inverno, ajudando a sustentar vendas mesmo diante de uma base comparativa elevada.
“No varejo de vestuário, estamos mais positivos com o suporte de condições climáticas favoráveis às vendas de inverno”, afirmam Pini, Sartorio e Granello.
A C&A é destacada como uma das principais oportunidades no segmento, apoiada em iniciativas de produtividade e expansão de lojas, enquanto Renner e Riachuelo também oferecem pontos de entrada considerados atrativos.
Nomes neutros ainda enfrentam desafios
Por outro lado, o Safra manteve recomendação neutra para empresas como Alpargatas (ALPA4), Vivara (VIVA3) e Azzas (AZZA3), citando desafios específicos apesar de múltiplos mais baixos.
No caso da Vivara, a pressão macro sobre a demanda, especialmente na divisão Life, e níveis elevados de estoque são pontos de atenção. Já a Azzas enfrenta um momento operacional mais fraco, com crescimento limitado de receita e recuperação mais lenta de margens.
“Embora algumas empresas negociem a múltiplos mais baixos, o momento operacional segue desafiador e limita a visibilidade de recuperação”, concluem os analistas.






