A tendência é de continuidade da alta dos preços da carne bovina nos próximos meses. A avaliação é do Banco Safra, que analisou os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitica (IBGE) e identificou um cenário favorável para o segmento de bovinos, em contraste com o desempenho mais fraco das cadeias de aves e suínos.
Segundo o relatório, a combinação entre demanda aquecida e oferta global restrita de gado deve continuar sustentando os preços da proteína bovina. Esse movimento beneficia frigoríficos com maior exposição ao segmento, especialmente aqueles voltados para exportação, enquanto empresas ligadas aos mercados de frango e carne suína enfrentam um ambiente mais desafiador.
Os dados de inflação mostram que os preços da carne bovina avançaram 9,8% nos últimos 12 meses, consolidando uma trajetória de valorização que já se diferencia claramente das demais proteínas. No mesmo período, os preços da carne suína recuaram 4,9%, enquanto os de frango registraram queda de 3,6%.
Fatores estruturais
Para os analistas do Safra, essa divergência reflete fatores estruturais do mercado pecuário. A oferta mais limitada de animais para abate, somada à demanda firme tanto no mercado interno quanto externo, tem garantido sustentação às cotações da carne bovina. Como resultado, os spreads do segmento avançaram 1% em maio na comparação mensal.
O cenário é diferente para aves e suínos. De acordo com o banco, a demanda doméstica mais fraca tem dificultado reajustes de preços e pressionado a rentabilidade das empresas. Em maio, os spreads do setor de aves permaneceram estáveis, enquanto os de suínos recuaram 3% em relação ao mês anterior.
O relatório também destaca que os preços das carnes processadas subiram 1,3% no mês, indicando que parte da pressão de custos continua sendo repassada ao consumidor final.
Além dos movimentos observados nos preços da carne, o levantamento mostra comportamentos distintos em outras categorias de alimentos. O feijão segue liderando as altas, com avanço de 6% em maio e de 36% no acumulado de 12 meses. Em sentido oposto, massas continuam em trajetória de queda, com recuo anual de 2%.
O arroz, que ainda acumula queda expressiva de 17% em 12 meses, apresentou recuperação recente, avançando 2% em maio. Já produtos industrializados como biscoitos, bolachas e margarina registraram inflação acima da média dos alimentos, com altas anuais de 5% e 9%, respectivamente.
Retomada da inflação da cerveja
No segmento de bebidas, o Safra observou retomada da inflação da cerveja após a desaceleração registrada em abril. Os preços subiram 4,8% em 12 meses, impulsionados principalmente pelo consumo dentro de casa, que registrou alta de 6% no período. Para o banco, o movimento é positivo para empresas do setor, como a Ambev.
A análise do Safra reforça que o mercado de proteínas vive um momento de forte descolamento entre categorias. Enquanto os preços da carne bovina seguem sustentados por fundamentos favoráveis de oferta e demanda, aves e suínos enfrentam maior pressão competitiva e menor capacidade de repasse de preços, tendência que pode se manter ao longo dos próximos meses.
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